O americano Bill Clegg, 45 anos, falará nesta quinta-feira (30), em mesa com Irvine Welsh (“Trainspotting”), na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), sobre duas de suas façanhas.
Primeira: a estreia na ficção com o romance “Você Já Teve uma Família?”, que ficou entre os finalistas de dois grandes prêmios de literatura, o Man Booker e o National Book.
Segunda: ele estar vivo para escrevê-la. Isso parecia improvável nos anos 2000, quando o promissor agente literário de Nova York se viciou em crack. Na época, dava entrada em hotéis com nomes falsos, acompanhado de prostitutos como Carlos, o “brasileiro escuro” que cobrava US$ 400 a hora.
Quase toda noite, acabava de joelhos, curvado sobre o carpete, procurando restos de pedras da droga. Perdeu a dignidade, o emprego, o namorado e 20 kg - em cinco semanas, precisou furar três vezes um novo buraco no cinto. Chegou a tentar suicídio com vodca, crack e soníferos. Ficou desapontado quando acordou no hospital.
O que Clegg conta não é segredo: está tudo nas memórias “Retrato de um Viciado Quando Jovem” e “Noventa Dias”, publicadas pela Companhia das Letras de 2011 a 2013 - a primeira foi descrita como “’O Apanhador no Campo de Centeio’ sob crack” pelo escritor Michael Cunningham, de “As Horas”.
Está escrito
A Flip segue até domingo com extensa programação relacionada a literatura e poesia do Brasil e do mundo. A abertura, às 19h desta quarta-feira, será feita por Armando Freitas Filho e Walter Carvalho. A poeta Ana Cristina Cesar (1952-83) é a autora homenageada da Flip 2016.
Serviço
Para saber mais, acesse: https://flip.org.br/