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Morre Consuelo de Castro, autora que levou os anos 1960 aos palcos


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Aos 70 anos, a autora teatral Consuelo de Castro morreu na madrugada de ontem no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, de câncer. Ela estava internada havia uma semana. A doença, diagnosticada há seis anos, chegou a ser contida, mas voltou em 2014.

Na descrição da colega de geração Leilah Assumpção, que se considerava e era considerada por ela uma irmã, “Consuelo era uma força da natureza, como mulher e como dramaturga”. “Sua dramaturgia era visceral, ela tinha o melhor diálogo do teatro brasileiro”, acrescentou, chorando. 

Nos últimos anos, com o retorno do câncer, vinha se reunindo regularmente com amigos. Num dos encontros, no apartamento da atriz Bete Coelho, em São Paulo, já com o governo Dilma Rousseff mergulhado em crise, questionou vigorosamente Lula e a presidente, dizendo que traíram José Dirceu, esquecido numa prisão no Paraná. Afirmou que não tinha partido, que era amiga de Dirceu e jamais o abandonaria.

Consuelo foi a autora mais engajada, politicamente, de toda a geração de dramaturgos que estreou em 1969 e que incluía Leilah, José Vicente, Isabel Câmara e outros.

“Nós somos a geração ‘angry young men’ (jovens raivosos), quem nos chamou assim, se não me engano, foi o (crítico e diretor italiano) Alberto D’Aversa”, afirmou ela à “Folha de S.Paulo”, há dois anos. 

Uma geração, sobretudo ela, que enfrentou seguidamente vetos e cortes, às vezes vencendo, outras não. Sua primeira peça, “Prova de Fogo”, de 1968, só seria encenada 25 anos depois.O texto refletia seu envolvimento no movimento estudantil nos anos 1960.

SUCESSO

Nascida em Araguari, Interior de Minas Gerais, ela fez ciências sociais na USP, entrou para o Partido Comunista e conviveu com Dirceu, Aloysio Nunes Ferreira e outros futuros políticos.
Zé Celso, que dirigiria “Prova de Fogo”, lembra que “era uma peça sobre a guerra da USP com o Mackenzie, o Dirceu era o líder”.

A peça com que ela estreou de fato foi “À Flor da Pele”, no ano seguinte, em que se confrontam uma estudante e seu professor. Assim como o anterior era inspirado em Dirceu, o protagonista teria como fonte o crítico Sábato Magaldi.

Foi novamente, como ela própria dizia, um texto “pós-Plínio Marcos”, com poucas personagens, “fechadas, enclausuradas dentro de um local e dentro de si”, com “a repressão dentro da alma”.

Como outras peças da geração 69, foi “um puta de sucesso, de público, de crítica”, lembrava Consuelo, que em seguida se afastou, foi trabalhar em publicidade no Rio e só voltaria a escrever anos depois.

Foi quando estreou “Caminho de Volta”, com direção de Fernando Peixoto, que com ela venceria o prêmio Molière de 1975. Embora escrevesse sem a regularidade da “irmã” Leilah, nunca chegou a parar. Há dois anos, lançou “Três Histórias de Amor e Fúria” (ed. Giostri), com textos de três peças.

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