Economia & Negócios

ra" econômica derruba quantidade de novos devedores

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Luciana Rodrigues: “Adquiro o que é necessário, deixando de lado as compras de ocasião”

O que deveria ser uma boa notícia, na verdade, reflete o momento desafiador vivido pelo comércio de Bauru. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o número de pessoas incluídas no cadastro de inadimplentes da cidade caiu 42,8% nos primeiros cinco meses de 2016, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

De janeiro a maio, foram 6.121 pessoas negativadas, ante as 10.709 incluídas da lista de devedores no início de 2015. O resultado poderia ser visto com bons olhos se, no mesmo período, o número de consumidores que conseguiu limpar o nome também não tivesse registrado queda.

Mas, ainda de acordo com o SPC, nos primeiros cinco meses de 2016, 4.200 pessoas foram excluídas do cadastro, contra as 5.860 que negociaram suas dívidas entre janeiro e maio de 2015. Para Elion Pontechelle Júnior, assessor de imprensa e advogado da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a queda no ritmo de inclusões e exclusões no cadastro do SPC é reflexo direto da cautela do consumidor.

Diante do aumento do custo de vida, do medo de perder o emprego e do compromisso com dívidas contraídas anteriormente, muitos optaram por frear o ritmo de compras, algo que já é sentido pelo comércio. “Eles estão procurando não fazer novas dívidas e diminuir os gastos, porque o futuro parece incerto. E, sem pretensão de voltar a ter crédito na praça, quem está com o nome restrito se sente menos estimulado a pagar sua dívida”, considera. 

Mãe de duas filhas ainda crianças, a dentista Luciana Avallone Rodrigues, 43 anos, afirma ser uma das consumidoras que têm buscado controlar o volume de gastos para que o orçamento familiar continue cobrindo todas as contas do mês. Em momentos de incertezas, a prioridade, ela ensina, precisa ser dada ao que é essencial.

“Custo com alimentação, saúde e educação, que já é elevado, não tem como cortar. Então adquiro o que é necessário em termos de vestuário, por exemplo, deixando de lado aquelas compras de ocasião, como as que eu fazia para aproveitar promoções”, comenta.

‘Frio amigo’

São medidas também adotadas pelo empresário Alexandre Thomaz, 41 anos. Ele conta que, diante do aumento do custo de vida, a necessidade de conter os impulsos consumistas já foi compreendido até mesmo o filho de 11 anos. 

“Até mesmo no supermercado estou substituindo alguns produtos por outros mais baratos, comprando em volume menor, cortando supérfluos. Explico para o meu filho quando não dá para levar o que ele quer e ele entende”, diz. 

Apesar do ambiente desfavorável, Pontechelle Júnior menciona que o comércio vem obtendo resultados satisfatórios devido à chegada do outono/inverno, que vem sendo marcado por temperaturas mais geladas que em anos passados. É uma análise com a qual Ednaldo Almeida do Vale, gerente de uma loja de confecções do Calçadão da Batista de Carvalho, concorda.

Ele conta que o estabelecimento vem mantendo o movimento de clientes desde o período de vendas voltado ao Dias dos Namorados. Com a chegada de dias mais frios, a procura por casacos, jaquetas, moletons e calças jeans continuou aquecida.

“O público feminino é o que mais compra. Nos dias em que a temperatura cai bastante, fica parecendo dezembro, de tanta gente. Continuamos recebendo mercadorias e nossa aposta é de que o inverno traga ainda mais frio”, espera. 

Dívidas maiores

Segundo Elion Pontechelle Júnior, há outro dado que preocupa muitos lojistas de Bauru: o aumento do valor médio das dívidas contraídas pelos consumidores, que chegou a R$ 1.155,17 em maio deste ano. “Ela praticamente dobrou em comparação ao que vínhamos registrando em anos anteriores”, analisa, ponderando que ainda é difícil detectar o que pode ter provocado esta mudança.

“Muitos consumidores ficaram mais cautelosos, mas quem ainda se arriscou a contrair dívidas acabou entrando de cabeça em compras de valor alto, talvez até já imaginando que não teria condições de pagar”, pontua.

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