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Fórum regional discute violência contra pessoas com deficiência

Tisa Moraes e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru recebeu nesta quinta-feira (30) o 1.º Fórum Regional sobre Violência contra Pessoas com Deficiência. O evento, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência em pareceria com a Prefeitura de Bauru, tem o objetivo de estimular o desenvolvimento local e regional de uma rede de gestores públicos e de planos de ação que possam inibir crimes contra esse público. 

Durante o encontro, ocorrido na Instituição Toledo de Ensino (ITE), foi debatida ainda a criação de conselhos municipais, secretarias e coordenadorias que trabalhem na implementação de políticas públicas, de ampliação e consolidação de direitos para as pessoas com deficiência. Estiveram presentes na reunião representantes da autarquia estadual e gestores de diversas áreas da cidade, bem como da Capital. 

Segundo as estatísticas oficiais, a região de Bauru registrou 829 casos de violência contra pessoas com deficiência nos últimos dois anos – deste total, Bauru responde por quase metade (388) dos casos. Os dados consideram os boletins de ocorrência elaborados entre maio de 2014 e maio de 2016 em 36 municípios.

Entre as agressões mais comuns, estão ameaças, lesões corporais, furtos, violência doméstica e injúria, que, juntos, somam 54,5% das ocorrências (veja quadro ao lado).

Priscila Medeiros/Divulgação
Gestores de diversas áreas, como o promotor do Idoso e da Pessoa com Deficiência, Gustavo Zorzella Vaz, participaram do evento, que foi realizado na ITE na manhã desta quinta-feira

Segundo Marcos Alexandre Schwerz, da coordenadoria de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o número de ocorrências envolvendo violência contra esse público específico vem aumentando, o que causa preocupação entre as autoridades.

Por este motivo, ele frisa, mobilizações como o fórum são necessárias para pensar políticas públicas visando melhorar a rede de atendimento e para fortalecer as relações com os órgãos vinculados ao Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência. “São órgãos regionais espalhados pelo Estado e do qual a sociedade civil faz parte. Precisamos de uma participação maior deles”, observa.

Especializado

Titular da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads) de Bauru, Maria Perroni ressalta a necessidade de denunciar casos de violência contra vítimas com deficiência. Como, em muitas circunstâncias, elas não possuem condições de verbalizar seu sofrimento, acabam dependendo da ajuda de terceiros para que as agressões cheguem ao conhecimento do poder público. 

“Nestes casos, há necessidade de um atendimento especializado, não apenas para a pessoa com deficiência, mas também para os familiares. O indivíduo com direitos violados é encaminhado a uma residência inclusiva, mas o agressor precisa receber assistência para que, futuramente, tenha condições de receber esse parente de volta”, pontua.

Psicólogo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo, Marco Aurélio Queiroz destaca que 70% das agressões contra pessoas com deficiência são praticadas por membros da própria família ou pelo cuidador da vítima. Ele informou ainda que serão realizados, até o fim do ano, mais três fóruns para debater o tema. “Ao final, criaremos um panorama da situação atual e traçaremos ações para combater essa triste realidade”, completa. 

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