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| Ivald Granato morreu na madrugada deste domingo (3), aos 67 anos, em São Paulo |
Um dos pioneiros da performance no país e reconhecido por uma obra que atravessou disciplinas entre música, teatro e artes visuais, Ivald Granato morreu na madrugada deste domingo (3), aos 67 anos, em São Paulo. Ele sofreu uma parada cardíaca enquanto dormia. Seu corpo será velado no cemitério Gethsêmani, na zona oeste da cidade, onde também será enterrado nesta segunda (4).
Granato despontou no cenário artístico do país nos anos 1960, com pinturas e desenhos calcados em elementos autobiográficos e na força dos gestos usados nas composições. Nesse sentido, mesmo seu trabalho em formatos mais convencionais já carregava uma vontade de performance.
Em situações ao vivo e gravadas em vídeo, Granato se firmou ao longo dos anos 1970 como um artista de fato multimídia, construindo uma obra marcada pela ironia, o humor e a crítica ao "establishment" artístico.
Esse posicionamento aflorou com mais força no happening "Mitos Vadios", que Granato organizou num estacionamento da rua Augusta, em São Paulo, em 1978. Além de Granato, nomes centrais do cenário artístico do país, como Hélio Oiticica, Anna Maria Maiolino e Claudio Tozzi, mostraram suas obras ali e realizaram ações ao vivo.
Na década de 1980, Granato integrou a Banda Performática, projeto musical e artístico liderado pelo artista José Roberto Aguilar. No palco, Granato sempre aparecia com roupas extravagantes, uma espécie de super-herói tropical.
Sua obra iconoclasta e irreverente, que agora pode ser vista numa retrospectiva dedicada ao artista na Caixa Cultural, em Brasília, entrou para a história das artes visuais no país como herdeira e desdobramento da tradição de nomes como o artista e performer Flávio de
Carvalho e do pintor e escultor Wesley Duke Lee, que também organizou uma série de happenings.
