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Em ação ousada, grupo rouba empresa de valores e mata policial em Ribeirão


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Um policial rodoviário foi morto após um ataque cinematográfico a uma empresa de transporte de valores em Ribeirão Preto (213 km de Bauru) na madrugada de ontem.

Com cerca de 20 homens, a quadrilha utilizou caminhões e até uma retroescavadeira para bloquear ruas no entorno da empresa Prosegur, no bairro Campos Elíseos. O grupo detonou explosivos e trocou tiros com a polícia por cerca de uma hora. Há marcas de tiros de metralhadoras calibre 50 - usadas em baterias antiaéreas - e fuzis em imóveis das redondezas.

O ataque ocorreu por volta das 4h e deixou a região da empresa no escuro, após os criminosos atirarem em cinco transformadores de energia elétrica. Ao menos 2.000 imóveis ficaram sem energia elétrica.

Às 7h40, 95% das unidades atingidas tiveram o serviço normalizado devido a manobra na rede, que garantiu o fornecimento de energia aos clientes por outras fontes. O acesso ao local foi interditado pelas autoridades policiais.

Foram ouvidas ao menos três explosões no local. Na fuga, os bandidos atearam fogo em veículos para dificultar a ação policial. Não foi informado se a quadrilha conseguiu levar o dinheiro.

Após a ação, a quadrilha fugiu rumo à rodovia Anhanguera. No anel viário da cidade, policiais rodoviários estavam posicionados para tentar interceptar os criminosos e foram atacados pela quadrilha.

Segundo relatos feitos à reportagem, os policiais se deitaram para não serem atingidos e o cabo Tarcisio Wilker Gomes, ao tentar se levantar para pegar o rádio do veículo e pedir apoio, foi atingido com um tiro na cabeça.

Ele foi socorrido ao Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão, mas morreu. Casado e pai de uma criança de 8 anos, Gomes estava no policiamento rodoviário havia 13 anos.
A avenida da Saudade, onde fica a empresa, só foi liberada para o tráfego por volta das 8h de ontem.

A Prosegur apenas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que nenhum de seus funcionários foi ferido e que está colaborando com as investigações. Não foi informado se a quadrilha conseguiu levar o dinheiro.

Chácara escondeu quadrilha

Uma chácara próxima ao local em que o policial rodoviário Tarcisio Wilker Gomes, 43 anos, foi morto na madrugada de ontem em Ribeirão Preto (213 km de Bauru) foi o local utilizado como esconderijo da quadrilha que atacou uma empresa de transporte de valores na cidade. 

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a chácara, que fica perto do km 320 da rodovia Anhanguera, foi alugada na última quinta-feira. Gomes foi morto no km 321 da Anhanguera, no entroncamento existente com o anel viário de Ribeirão Preto. 
No local, foram encontrados artefatos para a fabricação de bombas caseiras, luvas e perucas, possivelmente utilizados no ataque, de acordo com policiais ouvidos pela reportagem. 
Dois veículos deixados pelos assaltantes na fuga foram encontrados e os policiais militares do Estado, inclusive nas divisas, foram informados das características de veículos que a quadrilha pode ter usado na fuga. A rodovia Anhanguera foi um dos pontos usados na fuga dos cerca de 20 assaltantes - os outros foram uma avenida da cidade e o distrito de Bonfim Paulista. 

A ação teve ao menos 597 tiros, segundo a polícia, a maioria de calibre 762. Um cartucho de .50, com potencial para derrubar aeronaves, também foi encontrado. 
Além de deixar mais de 2 mil imóveis sem energia elétrica ao atirarem em cinco transformadores na região da avenida da Saudade - onde fica a empresa de transporte de valores -, a quadrilha também fez com que faltasse água em ao menos cinco bairros de Ribeirão Preto durante a manhã. Sem energia, os poços tiveram a captação interrompida. 
Uma bomba foi encontrada a 100 metros da empresa e policiais do esquadrão antibombas foram acionados para removê-la. 

No velório do policial, o secretário de Estado da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, afirmou que existe a possibilidade de elo entre a quadrilha que explodiu a empresa de segurança em Ribeirão com os ataques ocorridos em Campinas e Santos nos últimos meses. 
Em abril, a sede da Prosegur em Santos foi roubada por um grupo armado com fuzis e bombas em uma ação que terminou com três mortes e chegou a interditar a rodovia Anchieta.

Um mês antes, cerca de 20 homens explodiram paredes para chegar à sala-forte de um prédio da Protege em Campinas e atiraram durante 1 hora e meia com fuzis capazes de derrubar um helicóptero. Apesar disso, para o secretário, as polícias do Estado são bem equipadas.

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