O dólar subiu ante o real pela quarta sessão seguida, apesar da queda da divisa norte-americana no Exterior. Os profissionais do mercado apontaram que o câmbio doméstico destoou da movimentação lá fora por causa de incertezas em torno da meta fiscal do governo para 2017.
Também foram embutidos no preço a persistente expectativa de novos leilões de swap cambial reverso e preocupações sobre os efeitos do Brexit na economia global.
O dólar comercial fechou em alta de 1,09%%, cotado a R$ 3,337 na venda, acumulando ganho de 3,90% em julho. O giro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa foi de US$ 955,955 milhões. As atuações do Banco Central, com quatro leilões de swap cambial reverso em julho, também têm sustentado a alta do dólar. Amanhã, o BC faz o quinto leilão, com oferta de mais 10 mil contratos (cerca de US$ 500 mil) para dois vencimentos. O BC ainda carrega um estoque de US$ 60,135 bilhões em contratos tradicionais de swap que podem ser revertidos para sustentar a divisa dos EUA. Comenta-se no mercado que o dólar pode chegar perto de R$ 3,50, nível semelhante ao observado quando Ilan Goldfajn assumiu a instituição. No entanto, qualquer projeção para o câmbio no curto prazo ainda é apontada como incerta.
Há a leitura entre parte dos agentes do mercado de que o fluxo de recursos no Brasil deve ficar positivo nos próximos meses, principalmente após a conclusão do processo de impeachment. Na visão do diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, caso esse movimento se concretize, o dólar pode recuar para cerca de R$ 3,10. “O BC consegue reduzir um pouco o movimento agressivo de queda com swap cambial reverso, mas a direção é para baixo”, apontou o especialista. Para ele, o dólar deve se fortalecer mais para o final do ano com um possível corte da Selic ou elevação de juros nos EUA.