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Dois são presos em Bauru acusados de fraudes em partidas de futebol

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Pai e filho foram presos ontem em Bauru pela Polícia Civil, acusados de integrar uma quadrilha internacional que manipula resultados de partidas de futebol, das séries A2 (segunda divisão),  A3 (terceira divisão) e B (quarta divisão) do Campeonato Paulista, e divisões inferiores do Norte e Nordeste. A investigação segue sob segredo de Justiça e, por isso, a Polícia Civil não revelou as identidades dos acusados. 

Além do homem de 64 anos e do seu filho, de 33, outras cinco pessoas foram presas durante operação denominada Game Over (“fim de jogo”, na tradução), que cumpriu dez mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão nas cidades de Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba e São Paulo e nos Estados do Ceará e Rio de Janeiro. 

Fora os sete presos, há três pessoas que ainda não foram localizadas.

O inquérito foi instaurado no início do ano passado pela 5.ª Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (Drade), ligada à Delegacia Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), por requisição do Ministério Público de São Paulo. 

Delegada titular da Divisão da DHPP, Kelly Cristina Sacchetto Cesar de Andrade explicou que, ao longo dos trabalhos, foram feitas diligências e interceptação telefônica para apurar a existência de uma quadrilha que atuava nos Estados de São Paulo e do Rio, aliada a outro grupo formado por asiáticos provenientes da Malásia, China e Indonésia. 

“Essa quadrilha aliciava tanto jogadores quanto técnicos e presidentes de clubes principalmente das Séries A2 e A3 do Paulista, para que os resultados dos jogos fossem manipulados favoravelmente a bolsas de apostas, que existem na parte da Ásia. Ainda estamos apurando os locais”, destacou Andrade, durante entrevista coletiva nesta quarta. 

Para não chamar a atenção, os apostadores procuravam campeonatos com menor visibilidade, disputados por clubes da segunda, terceira e quarta divisão do Paulista, que enfrentam dificuldades financeiras em razão de dívidas, o que facilitaria a aceitação da propina. 

Os times envolvidos no esquema também não foram divulgados, mas a reportagem apurou que a direção da Assisense (quarta divisão) teria recebido oferta em 2015. O Barueri teria recebido proposta para perder do Rio Preto por 4 a 0, pela terceira divisão do Paulistão. 

Em razão do segredo de Justiça, a reportagem não obteve informações sobre a atuação dos dois acusados de Bauru na quadrilha. 

Pai e filho foram levados para depor em São Paulo, onde, incialmente, devem cumprir prisão temporária de cinco dias, que poderá ser prorrogada por até 10 dias. 

Negociação e Lucro

Na prática, os integrantes da quadrilha que atuavam no Brasil, ao procurarem os dirigentes dos clubes, diziam representar um apostador asiático e ofereciam uma quantia em dinheiro para manipular o resultado da partida. 

Os valores, entretanto, não foram divulgados, mas estima-se que variam entre R$ 40 mil e 60 mil, a serem divididos entre jogadores, técnico e até mesmo com o presidente do clube. 

Ao final, o apostador lucra através de sites de aposta no Exterior. No Brasil, as apostas são proibidas, mas é possível realizá-las através de sites hospedeiros fora do País, que incluem torneios nacionais. 

Toque inicial

Delegada titular da Divisão da DHPP, Kelly  de Andrade revela que a Operação Game Over está só no começo. “Essa primeira fase se deu para deter esses indivíduos e obter mais provas para, numa nova fase, saber a extensão de atuação dessa quadrilha, se atinge outros campeonatos ou até outras modalidades de esporte. Nada disso está  descartado” disse. 

Federação

Em nota oficial emitida na tarde de ontem, a Federação Paulista de Futebol (FPF) declarou que já havia oferecido denúncias ao Ministério Público sobre tentativa de manipulações dos jogos de futebol. “Todas as denúncias ou suspeitas a que tivemos acesso sempre foram prontamente encaminhadas ao MP e contribuíram para esta investigação”, destaca. 

“Lembramos que a FPF já vem tomando medidas de combate a estes delitos: criou o Comitê de Integridade, que apura suspeitas e atua de forma colaborativa com as autoridades competentes a fim de identificar supostas ilegalidades em partidas”, acrescenta. 

A Federação cita ainda que, além das medidas, contratou a empresa suíça SportRadar, especializada em monitorar resultados suspeitos e possíveis manipulações. “Desta maneira, vamos continuar atuando no combate a essa modalidade criminosa que acomete o futebol mundial”. 

A FPF  enxerga a Operação Game Over “como um importante passo para o combate à prática de manipulação de resultados no futebol”, diz, em nota. 

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