Quatro presos temporários da Operação Lava Jato foram soltos em Curitiba ontem, por ordem do juiz Sergio Moro. Todos eram empresários que participaram de um consórcio para a construção do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio.
Eles são investigados sob suspeita de pagarem propina pelo contrato a funcionários da estatal e agentes políticos, incluindo o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira - que também foi alvo da Lava Jato na última segunda-feira, e está preso preventivamente.
Os quatro presos temporários -Genésio Schiavinato Júnior, da Construbase; Edison Freire Coutinho, da Schahin; Erasto Messias da Silva Júnior, da Ferreira Guedes; e Roberto Ribeiro Capobianco, da Construcap- estavam detidos desde o início da semana. O prazo das prisões vencia ontem.
Tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público Federal entenderam que os quatro “prestaram os esclarecimentos necessários”, e por isso poderiam ser liberados pela Justiça. Moro acatou o pedido.
Do quatro presos, dois admitiram em depoimentos à PF que fizeram pagamentos a Ferreira, então tesoureiro do PT, vinculados à obra do Cenpes.
Segundo as investigações, as empreiteiras usaram contratos de fachada com o escritório de advocacia de Alexandre Romano, delator da Lava Jato, para pagarem os valores. Romano foi quem deu as informações à PF.
Campanha
Ainda preso preventivamente em São Paulo, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira justificou os pagamentos a Romano dizendo que algumas empresas “custeavam despesas de sua campanha” a deputado federal, em 2010, por meio do escritório de advocacia.
Romano, segundo ele, atuava como “captador de recursos”. As transferências feitas a uma escola de samba, amigos e familiares pelo escritório de Romano, assim, seriam para quitar gastos de campanha.