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Aos 103, professor lembra como foi a Revolução de 32

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Polícia Militar/Divulgação
Ten. cel. Marcelo Martins, seu Totó, cap. Fabiano Mendonça, Orlando Mendonça e o cel. Walter Oliveira  

Ao olhar para Antônio Andrade Guimarães, no auge dos seus 103 anos, ninguém sequer imagina que ele passou 68 dias em uma trincheira na divisa de São Paulo com Minas Gerais, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. O professor aposentado vive em Vera Cruz, mas será homenageado hoje, em Jaú (47 quilômetros de Bauru).

Por conta de sua idade avançada, a reportagem do JC não conseguiu entrevistá-lo por telefone, mas o capitão Fernando Henrique Perpétuo Pauli, que é chefe da seção de comunicação social da Polícia Militar (PM) de Jaú, contou parte da história de seu Totó, como é conhecido.

O veterano do 9 de Julho nasceu no dia 15 de junho de 1913 - apenas 14 anos depois da Proclamação da República no Brasil, em Sertãozinho, que fica na região de Ribeirão Preto. Em 32, ele se voluntariou no levante revolucionário paulista, chamado de MMDC, em virtude das iniciais dos nomes dos manifestantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

Eles foram mortos pelas tropas federais em um confronto ocorrido em 23 de maio de 1932, que antecedeu a Revolução Constitucionalista daquele ano. Seu Totó, então, se voluntariou junto ao Batalhão de Campinas, que, na época, era chamado de Francisco Gliceri. Ele lutou em Eleutério, que ficava no Vilarejo de Itapira, na divisa de São Paulo com Minas Gerais.

Sua função, segundo o capitão Perpétuo, era impedir que as tropas inimigas viessem de Minas a São Paulo. Fora da Revolução, seu Totó era professor e se aposentou como diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Clemente Ferreira, que, desde 2004, adotou o nome do veterano do 9 de Julho. “É o único ainda vivo na região”, observa o capitão.

Homenagem

Ontem, seu Totó foi homenageado em Marília. Hoje, será a vez de Jaú. Ele desfilará em um dos três jipes que passarão pela cidade. Para tanto, o município está preparando uma programação especial, que começará às 9h, na Praça da República. Além do veterano do 9 de Julho, também serão homenageados o historiador Ricardo Della Rosa e o tenente-coronel Marcelo Martins, que preside o Núcleo de Estudos do MMDC de Marília.

Nove militares e nove civis da região serão condecorados. Durante o evento, haverá a apresentação dos estudantes e professores de Jaú, Araraquara, São Carlos e Mineiros do Tietê. Eles reencenarão trechos da Revolução de 32. Já o desfile sairá da Praça da República por volta das 11h.

Dele, participarão atiradores, policiais da Escola de Formação de Bauru, escoteiros, batalhão infanto-juvenil da maçonaria, bem como as viaturas da Rocam, da Força Tática, da Ronda Escolar, do Canil, da Base Comunitária Móvel, da Polícia Rodoviária, da Polícia Ambiental, do Corpo de Bombeiros e da Radiopatrulha. 

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