Política

Prefeito: "Tem secretário olhando feio pra mim..."

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Rodrigo Agostinho (PMDB) admite que o cenário para seu sucessor será de adversidade no comando da Prefeitura de Bauru, a partir de 1 de janeiro de 2017. Reportagem de ontem do Jornal da Cidade revelou a estagnação da arrecadação do município no primeiro semestre, que variou em 1,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, e o aumento de despesas, especialmente com a folha de pagamento da administração, que pesará na conta do próximo governo.

O chefe do Executivo nega, porém, que tenha agido de forma irresponsável, justifica recentes medidas e alega que, como reação a posturas austeras, parte de seu secretariado está “olhando feio” para ele. Segundo o prefeito, por conta do grande contingenciamento orçamentário, motivado pelas receitas aquém das expectativas para 2016, muitos projetos do governo para este exercício foram inviabilizados.

“Isso causou grande sentimento de insatisfação nos secretários, que querem emplacar novidades. O pessoal fica revoltadinho, mas esse é o meu papel. Não vou autorizar o que não é possível”, afirma Rodrigo.

Pacotão

A Secretaria de Finanças estima que, entre agosto deste ano e março próximo, os gastos com salários sejam majorados em R$ 1,7 milhão, em função do reajuste de 3% concedido ao funcionalismo a partir de setembro, de reflexos nos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCSs) e do pacotão com 173 novas contratações autorizadas por Agostinho na semana passada.

“Foi uma medida muito bem pensada. A maioria dos servidores vem para repor postos de trabalhos vagos. Para se ter uma ideia, só neste segundo semestre 370 funcionários vão se aposentar. Nos últimos dois anos, muita gente já se aposentou e, por conta da crise, a prefeitura não repôs esse pessoal”, argumenta.

Rodrigo pontua que já faltam professores para salas de aula e técnicos de enfermagem em postos de saúde.

“As contratações também vão na contramão disso, são muitas crianças que saíram da rede privada de ensino e precisam ser absorvidas pela nossa. A situação é a mesma para os planos de saúde”.

Curva ascendente

O prefeito de Bauru pontua ainda que as contratações resultarão em economia com horas extras de servidores.

“Eu realmente dobrei o gasto com folha, mas não saí do limite da Lei Fiscal. Trabalhamos acompanhando o ritmo da arrecadação. Fico muito feliz de ter proporcionado aumentos nos salários do funcionalismo quando possível. De fato, houve algumas distorções nos PCCSs. No entanto, esse dinheiro ajuda a girar a economia da cidade, movimenta o consumo”, pondera.

Há dois anos, contudo, a administração municipal não garante a reposição da inflação para todos os trabalhadores da prefeitura.

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