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Informações e inspirações

J.F. da Silva Lopes
| Tempo de leitura: 2 min

Geralmente informações não nos faltam. Na rotina de cada vida são bastante raros os dias que não recebemos notícias e revelações das mais diversas naturezas vindas das mais diferentes origens. Muito antes que o sol desponte começamos a receber e a processar informações boas ou más, agradáveis ou desagradáveis, importantes ou não, que nos chegam instante a instante e que dizem respeito a acontecimentos mundiais, nacionais, regionais, locais e pessoais.

São tantas que somos obrigados a separá-las e considerá-las por uma certa ordem de importância e significado, principalmente quando por alguma forma direta ou indiretamente verificamos nelas alguma peculiaridade que a nós se vincula.

Notícias sobre ações terroristas em algum ponto de nosso conturbado mundo, confrontos entre traficantes nas nossas fronteiras ou, ainda, desdobramentos da “Operação Lava Jato” são tão repetitivas e comuns nestes tempos bicudos que vivemos que acabam por produzir mínimo impacto porque são revelações que embora assombrosas vêm marcadas pela banalidade repetitiva. O assalto de carro forte que transporta valores com emprego de armamento de guerra certamente traz arrepio e preocupação e o mesmo acontece com algum acidente de trânsito grave em nosso bairro ou adjacências. A isso se acrescentam notícias pessoais que envolvem conhecidos e amigos, doentes, falecidos ou atingidos por algum infortúnio que nos acarretam apreensão, preocupação e temor porque o que acontece com eles nos adverte sobre nosso próprio futuro. Afinal cada vida tem começo meio e fim e aquela frase de mau gosto no pórtico de muitos cemitérios – “nós que aqui estamos por vós esperamos” – carrega elevada carga de inevitável amargura.

O mundo de informações tanto nos abastece de notícias que dele nos tornamos irremediavelmente dependentes. Se jornal atrasa, se o rádio ou televisor por algum motivo não funciona a angústia que sentimos nos priva de inspiração e exibe com perfeição nosso grau de dependência que, no mínimo, altera nosso humor e desperta aguda sensação de isolamento.  As notícias que não nos chegam durante certo período qualquer que seja o motivo, pelo sentimento que provoca, quase sempre são mais assombrosas do que aquelas que nos chegam por mais graves ou delicadas que possam ser e por maiores que sejam seus impactos. É muito perigoso viver carente de notícias e privado de informações e isso expõe e revela a extrema importância dos noticiários manipulados ou distorcidos, principalmente quando se perseguem propósitos obscuros e perversos incompatíveis com o dever de informar e com o direito de receber informações puras, limpas e totalmente transparentes. Viva a imprensa livre e séria!

O que é assombrosa, antidemocrática e muito perigosa é a existência de movimentos, ações e pessoas que por razões obscuras insistem em sonegar, distorcer ou manipular informações, porque isso nos afasta e isola do nosso mundo. Por sinal, hoje e até agora meus jornais ainda não estão depositados na pontualíssima caixa de correio.


O autor é advogado, articulista do JC e escreve a cada catorze dias.

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