| Alex Mita |
| Funcionárias preparam cama antes da abertura da Feira do Bordado |
A economia da cidade de Ibitinga tem como mola propulsora o bordado, uma das principais fontes de renda. A primeira feira aconteceu em 74 e desde então não parou de crescer, idealizada pela senhora Juliana Zapata Camas. O bordado se propagou no município, nos anos 40, por meio de dona Dioguina Pires, Maria Gonçalves Grilo, Marieta Macari Pires e de Maria Braga que ensinaram a arte de bordar em máquinas de costura as jovens senhoras ibitinguenses.
O primeiro evento teve dois dias em um final de semana. Um grande público lotou as dependências do colégio, hoje Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. A partir da segunda edição, a feira passou a ter uma semana e os shows incrementaram as atrações. A cidade começou a se transformar e as lojas foram se multiplicando, embora o bordado continuasse totalmente artesanal. Atualmente são 2.200 fabricantes, lojas e afins ligadas ao bordado.
A indústria do bordado ganhou força nos anos 70, quando a agricultura foi vitimada por duas secas consecutivas e não atendia as necessidades do crescimento da cidade. O município era um dos maiores produtores de ovos do Estado e enfrentava uma crise quando foram feitas as primeiras tentativas de industrialização.
A evolução na forma de produção e nas matérias primas utilizadas foi rápida e as máquinas elétricas chegaram por meio da “Escola de Bordados Singer”, que foi montada por Gottardo Juliani, revendedor da marca, que projetou a máquina elétrica especialmente para atender o mercado de Ibitinga. O evento faz parte do calendário turístico da cidade e do Estado de São Paulo. No segmento é considerado um dos maiores do Estado e é visitado por um público estimado em 200 mil pessoas.
Atualmente, a tecnologia aprimorou as máquinas que fabricam em grande escala para atender a demanda. Os produtos utilizados na fabricação das confecções bordadas, mudaram. Novos tecidos, novos acessórios e acabamentos que atendem a praticidade exigida pelo consumidor. Porém, o segredo do sucesso é a mão de obra, com acabamentos e processos artesanais, que se especializa a cada dia.
Segundo a representante do Sindicato da Indústria e Comércio do Bordado de Ibitinga Angélica Talarico, foi um longo caminho percorrido pelas empresas locais. “As mudanças foram inúmeras desde o início. Da máquina convencional para as computadorizadas que usam novas tecnologias e agilizam o trabalho, foram anos de investimentos. Partimos de um produto feito em pequena escala para grande escala que pudesse atender a demanda. O que não se perdeu foi a qualidade, nosso foco. Hoje, conseguimos atender um público muito maior.
Ela enfatiza que a tecnologia ajudou na transformação. “Temos que levar em conta a atualidade nossa. Antigamente, as mulheres tinham tempo para cuidar de sua roupa de cama, mesa e banho. Atualmente, a lavagem é feita por máquinas e exige outro tipo de tecido, mais prático. O passar também exigia muito esforço. Durante muito tempo o linho foi usado e é até hoje, só que ele requer um passar perfeito, um cuidado diferenciado. Mudou para melhorar.”
Shows
Dia 10 - Ronaldo Viola Filho e João Carvalho
Dia 11 - Soraya Moraes-Gospel
Dia 12 - Piu Viola e Leandrinho
Dia 13 - Leandro e Fernando
Dia 14 - Banda Zero 2
Dia 15 - Marquinho Guerra
Dia 16 - Juliano César
Dia 17 - Marcos Paulo e Marcelo
Ocupação em hotel chega a 80%
Os hotéis de Ibitinga comemoram a temporada de ocupação acima do normal. O sub gerente Marlon Paschoaline explica que durante todo o ano a ocupação gira em torno de 60%. Na temporada da feira atinge de 80 a 90%. “Temos 94 apartamentos, 44 de casal, o restante com camas duplas e triplas, cinco são suítes. O evento movimenta o hotel e o restaurante. Servimos almoço e jantar. As reservas estão ótimas este ano. Antes da feira começar temos reserva que atinge 70% de ocupação.” Juliana Dotti, proprietária de restaurante, diz que o movimento de turistas em Ibitinga aumenta a demanda por refeições e gera contratações temporárias. “Sirvo de 70 a 80 refeições/dia. Durante o período da feira, dobro a produção para atender a demanda. Como aumenta a procura tenho que fazer contratações para a cozinha e atendimento. O evento é muito esperado por nós comerciantes.”