Tribuna do Leitor

Uma flor para o PSOL

Carlos D?Incao
| Tempo de leitura: 3 min

Foi com muita surpresa e alegria que encontrei na Tribuna do Leitor do JC (07/07/2016) uma carta da pré-candidata do PSOL se reportando sobre um texto que publiquei no Facebook conclamando pela união da esquerda bauruense. De fato, o poder das redes sociais é notável...

A pré-candidata, porém, refutou com fervor e cólera essa possibilidade de união junto com o Partido dos Trabalhadores, acusando-o de ser - em apertada síntese - o principal protagonista de tudo o que há de errado com a política nacional e maior responsável pela crise que o país atravessa.

Não farei aqui o grotesco espetáculo que alguns esquerdistas gostam de realizar e ficar digladiando em público com partidos e quadros da esquerda para o deleite da direita. Para ser bem franco, prefiro ouvir calúnias e críticas infundadas sobre o Partido dos Trabalhadores dos próprios conservadores - que as fazem com maior elegância e razões plausíveis. Impossível, porém, deixar de destacar a absoluta dissonância de sua posição com a do próprio PSOL, hoje e no passado.  O PSOL está coligado ao PT em diversos municípios, condena o golpe de Estado contra a presidente afastada, Dilma Rousseff, e luta contra o governo ilegítimo de Temer.

No passado - muito recente - o PSOL nada mais era do que algumas tendências que existiam no interior do PT, isto é, eram todos petistas.  Apoiaram de forma entusiástica e combativa a eleição de Lula em 2002, mesmo quando estávamos diante de uma coalisão junto ao Partido Liberal de José Alencar e Lula já havia escrito a “Carta aos brasileiros”, onde se comprometia a dar continuidade aos fundamentos do Plano Real. Assim, seria honesto a pré-candidata afirmar que a culpa de todos os males é de ambos os partidos, desde sua raiz...

A reflexão crítica por ela proclamada afirma que o PT fez parte do atual governo municipal. Bom... talvez essa reflexão possa ser melhor conduzida pelo seu principal candidato a vereador, Roque Ferreira, um ex-petista histórico o qual tenho enorme respeito e carinho e que agora está no PSOL.  Ele fez parte dessa aliança praticamente pelo mesmo período que o próprio PT, partido onde sua esposa ainda milita. Ele certamente saberá descrever em detalhes seus bastidores e as posições críticas e abertas realizadas pelo partido contra a atual administração ao longo dos dois mandatos.

De minha parte apenas afirmo que não estaria em minha condição de pré-candidato do Partido dos Trabalhadores caso a aliança com o PMDB ainda existisse. Entrei nesse pleito com uma única condição: a de que o partido não fizesse alianças fora do campo da esquerda, o que incluiria o PSOL, o PSTU, o PC do B, o PCO e o PDT (este último, infelizmente, optou por apoiar o PMDB).

Assim sendo, não trago nenhuma hostilidade em meu coração junto ao campo da esquerda, ao contrário. Os honrados companheiros do PSOL sabem que todos os partidos de esquerda possuem tendências, o que torna absolutamente frequente a diversidade em diferentes municípios. Portanto, a toda esquerda oferecerei sempre boas palavras e gestos de amizade.

A todos os militantes do PSOL e, em especial, para a sua pré-candidata ofereço, enfim, uma flor. Uma flor drummondiana. Ser marxista é ter a certeza de que a humanidade tem a tendência em fazer aquilo que é o correto. É uma tendência. Como uma flor. Que tem a tendência em representar a beleza, a paz, a pureza e a força necessária para romper a solidez do ódio, do rancor, da malícia e da maldade.    

 

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