| Samantha Ciuffa |
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| Encontrado próximo ao corpo, bloco de concreto provavelmente foi usado no assassinato |
Há alguns anos, a Praça Washington Luiz vivencia o crescimento da mendicância. Ao mesmo tempo, ela tem sido alvo de reclamações envolvendo insegurança e violência.
Em setembro de 2013, a própria igreja instalada no local chegou a contratar segurança particular por conta de abordagens a fieis e furtos no local.
Nesta segunda-feira (11), a equipe do JC esteve por lá e moradores e comerciantes reclamaram novamente da situação.
“Fui furtado oito vezes aqui. Já ergui paredes, coloquei cerca, mas não adianta muito. A PM aperta o policiamento e eles vão embora, mas ja já aparecem de novo”, comenta um comerciante de 42 anos, que pediu para não ser identificado.
No local, um vizinho da praça chegou até a cimentar a porta de uma casa vazia para coibir invasões.
A mendicância diária no entorno da praça também preocupa uma escola/berçário no local, que atende quase 400 alunos.
“Diariamente acabamos acionando a PM no horário de saída. Está muito complicado”, comenta uma funcionária de 32 anos, que também pediu para ter a identidade preservada.
O capitão Bruno Mandaliti diz que o local possui prioridade no patrulhamento preventivo. “O problema é que não tem como uma viatura permanecer 24 horas lá. Existe um problema social e de saúde pública ali também. O patrulhamento tem ocorrido normalmente. Foi um crime de oportunidade”, fecha questão o comandante da 4.ª Companhia da PM.
Procurada na noite de ontem, a titular do Bem-Estar (Sebes), Rosa Otuka, diz que a pasta realiza acolhimento noturno e buscativas pela cidade. “O problema é que muitas pessoas não aceitam ajuda e não podemos obriga-las”, finaliza.
Briga foi ouvida
Dois vizinhos da praça, que preferiram não se identificar, contaram ao JC terem visto um grupo de aproximadamente dez pessoas consumindo bebidas alcoólicas. “Eles cantavam alto e davam risadas. Depois de um tempo, ouvi uma briga entre um homem e uma mulher, parecia que ele estava batendo nela ”, conta a aposentada, de 66 anos. “Quase todos os dias tem gritaria e briga nessa praça, achei que fosse só mais uma”, acrescenta o morador de 46 anos.
No cenário do crime, havia outras duas pequenas marcas de sangue, cerca de 5 metros distante do ponto onde o corpo estava.
Com afundamento de crânio, homem é localizado morto em praça do Centro
A Polícia Civil registrou, na madrugada desta segunda-feira (11), o 11.º homicídio deste ano em Bauru. André Luiz Marques da Silva, 41 anos, foi encontrado na Praça Washington Luiz, Centro – em frente o Santuário de Nossa Senhora Aparecida -, com afundamento de crânio e nu da cintura para baixo. Próximo ao corpo, havia um bloco de concreto, que teria sido utilizado no crime.
A polícia acredita que o homem seja morador de rua ou costumava frequentar o local para fazer uso de bebidas alcóolicas. Até o fechamento desta edição, nenhum familiar da vítima havia procurado a polícia ou o Instituo Médico Legal (IML) para o reconhecimento do corpo. Também não foram localizados suspeitos de terem praticado o assassinato, que segue sob investigação.
O crime ocorreu por volta da 1h. De acordo boletim de ocorrência (BO), uma equipe da PM foi acionada pela população até a praça, onde André foi localizado sem as calças e sem a cueca. Sua cabeça, que apresentava afundamento, havia sido coberta com uma camiseta dobrada e uma blusa azul foi estendida sobre a parte superior do corpo.
Além da pedra de concreto utilizada para ferir a vítima, os policiais acharam uma lata de cerveja vazia, uma embalagem plástica de aguardente, também vazia, a cédula de identidade do homem e uma pequena bíblia com uma foto e um número de telefone anotado. A Polícia Científica foi acionada e a perícia técnica, realizada no local.
Investigação
De acordo com o titular interino da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Marcelo Firmino, as investigações seguem com objetivo de levantar o histórico de André junto a familiares e conhecidos. “A equipe fará diligências visando identificar a autoria do crime. Para isso, traçaremos uma linha investigatória com base no perfil psicossocial da vítima”, destaca Firmino.
O delegado observa que, inicialmente, o corpo do homem não apresentava sinais de violência sexual, tendo em vista que ele foi localizado sem as calças. “As circunstâncias sobre o homicídio ainda serão apuradas”, reitera o titular interino da DIG, Marcelo Firmino.
Assassinato pode ter relação com dívidas de drogas
Informações sobre o crime colhidas ontem à tarde pela Polícia Militar dão conta da identificação de um suposto autor do crime. “O nome seguirá em sigilo por enquanto”, diz o capitão Bruno Mandaliti, comandante da 4.ª Companhia da PM. Segundo ele, a vítima seria usuária de drogas e teria antecedente por furto e roubo.
André Luiz Marques da Silva teria saído de sua residência na última terça-feira. “Ele não deu mais notícias e ficou perambulando pela cidade. Há informações de que o crime tenha ocorrido por causa da dívida dele com drogas e que teria sido praticado por mais de uma pessoa”, acrescenta o capitão.
A Polícia Militar afirma que tais informações foram compartilhadas com a Polícia Civil.
