A 25 dias dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o comitê organizador tem que encontrar formas de reverter um déficit nas contas estimado entre 400 milhões e 500 milhões de reais, informou nesta segunda-feira uma fonte próxima à organização do evento.
"Cortamos tudo que era possível, mas mesmo assim não está cabendo no orçamento", disse à Reuters a fonte, sob condição de anonimato. "Houve até problemas com o pessoal do COI (Comitê Olímpico Internacional) porque cortamos algumas regalias vistas em outros Jogos."
O orçamento dos Jogos Olímpicos é de cerca de 40 bilhões de reais, sendo a maior parte (24,6 bilhões de reais) para obras de infraestrutura. Pouco mais de 7 bilhões de reais foram para a construção de arenas esportivas, e outros 7,5 bilhões de reais, de origem privada, são do comitê organizador Rio 2016.
De acordo com a proposta de candidatura dos Jogos do Rio, qualquer eventual déficit nas contas do comitê organizador terá que ser dividido em partes iguais entre a União, Estado e município.
Apesar da conta no vermelho, os organizadores do evento ainda consideram os Jogos do Rio uma referência, não só pelo volume de gastos envolvidos, como pelas parcerias público-privadas que reduziram a necessidade de investimento público na Olimpíada.
"Se pensar em 7,5 bilhões de orçamento, um déficit de 400 milhões a 500 milhões (de reais) representa cerca de 6%, muito pouco para um projeto desse tamanho. São os Jogos mais baratos da história", declarou a fonte.
Um porta-voz do comitê organizador, Phil Wilkinson, não quis fazer comentário sobre as contas. "Estamos no caminho para entregar um orçamento equilibrado para os Jogos", disse.
Entre as causas do déficit atual está um impasse sobre a Vila dos Atletas. Inicialmente, o aluguel do local que hospedará a maioria dos esportistas seria bancado pelo governo federal, disse a fonte. O compromisso foi feito com o governo da presidente afastada Dilma
Rousseff, mas a ajuda não se concretizou. O compromisso inicial do Comitê Rio 2016 era empenhar apenas 10 por cento do valor, ou seja, 40 milhões de reais.
Outro obstáculo foi a não concretização da esperada parceria com a Petrobras. Na preparação dos Jogos, o patrocínio era dado como certo no orçamento do Comitê Rio 2016.
"Nos últimos 20 anos, a empresa de óleo local sempre é a maior patrocinadora", contou a fonte. "Não ter a Petrobras representa não ter o patrocínio e ter que pagar o combustível dos carros envolvidos nos Jogos."
"Como a rede de energia não ficou totalmente pronta para os Jogos, tivemos que arcar com os gastos com geradores de energia também", afirmou a fonte, acrescentando que os gastos com combustível somam 100 milhões de reais.