Com 120 deputados, o bloco formado pelos partidos da "antiga oposição" ao governo Dilma Rousseff - PSDB, PSB, PPS e DEM - vai tentar nesta quarta-feira (13), lançar uma candidatura unificada do grupo na disputa pela presidência da Câmara. O favorito é o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maior partido da frente, o PSDB, que tem 55 deputados, decidiu não lançar um nome, mas será o fiel da balança no processo.
Os tucanos resistem à ideia de apoiar um nome identificado com o Centrão, frente partidária construída pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e rejeitam a candidatura do ex-ministro Marcelo Castro (PI), que votou contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e conta com a simpatia do PT e outros partidos da "nova oposição".
O único obstáculo para a unificação do bloco liderado pelo PSDB é a resistência do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) em abandonar a disputa.
Escolhido na noite de segunda-feira pela bancada do PSB, que conta com 34 deputados, ele retirou Heráclito Fortes (PI) da disputa. "Estou em um dilema muito grande", disse Delgado. "Se tiver alguém com mais força para vencer o candidato do Cunha, eu saio."
A bancada do PSDB passou o dia reunida, mas preferiu deixar para hoje o anúncio oficial. O debate interno dos tucanos foi interrompido várias vezes pelo assédio dos candidatos à presidência da Casa.
Até a conclusão desta edição, a reunião, que começou por volta do meio-dia, não havia terminado. Pelo menos sete dos 12 postulantes ao mandato-tampão foram até a sala de reuniões da liderança do PSDB.
A conversa mais longa ocorreu com Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi acompanhado do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Ao chegar ao local, ele teve de esperar em outra sala da liderança o fim da visita de Beto Mansur (PRB-SP) para entrar na reunião. "A aliança entre PSDB, PPS, DEM e PSB é natural. E tudo que é natural é mais fácil", disse Maia aos jornalistas.