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Em 24h, MEC nomeia e exonera apoiador do escola sem partido

Por Luiz Fernando Toledo | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Em poucas horas, o ministro da Educação, Mendonça Filho, nomeou e exonerou o economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Adolfo Sachsida. Ele exerceria o cargo de assessor especial do ministro, mas sua nomeação, que saiu no Diário Oficial da União de segunda-feira, acabou sendo cancelada nessa terça (12). O caso foi informado pelo jornal Valor Econômico.

Sachsida é apoiador do projeto Escola sem Partido, movimento que diz defender a "neutralidade do ensino". Em uma das publicações em seu blog, o economista divulga um vídeo em que entrevista o procurador paulista Miguel Nagib, idealizador do texto original do projeto. Em sua página no Facebook, ele diz ser "pró vida, propriedade privada, conservadorismo moral e liberdade econômica".

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) não confirma a relação do recuo com o apoio do economista ao Escola sem Partido. "O MEC e o economista concluíram não ser necessária tal colaboração", informou. De acordo com a pasta, a nomeação de Sachsida tinha como objetivo analisar o impacto da macroeconomia no financiamento de políticas públicas da educação, função agora delegada à Subsecretaria de Orçamento e Planejamento.

A pasta informou ainda que o ministro "não discute a educação sob o ponto de vista político-ideológico" e defende que a bandeira da educação deve ser "estritamente técnica, acima de qualquer disputa política, ideológica ou partidária". Procurado pelo Estado, o economista não quis se manifestar.

Impeachment

Em seu currículo, consta que Sachsida tem doutorado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutorado pela Universidade do Alabama. Sua área de pesquisa é a de "uso de modelos econométricos para a resolução de questões econômicas".

Integrante do Foro de Brasília, que defende o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), Sachsida obteve da Justiça, na semana passada, autorização para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgue documentos sobre o financiamento do Porto de Mariel, em Cuba. A decisão foi comemorada em seu blog.

"O interesse nacional não pode se sobrepor aos de países alinhados ideologicamente com quaisquer governos, especialmente quando os mesmos recursos públicos não são aplicados em obras estratégicas para o desenvolvimento e crescimento nacional", escreveu.

Em outra postagem, Sachsida diz ser "estranha" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar réu o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por prática de apologia ao crime de estupro e por injúria. Bolsonaro afirmou à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria porque ela "não merece". "Pode-se achar a frase de mau gosto, pode-se achá-la inconveniente, mas daí a dizer que a mesma se configura em apologia ao crime é de um absurdo incrível. Onde está a apologia ao crime?", afirmou Sachsida.

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