Em “Sertão Noroeste...” revelei que, antecedendo o processo revolucionário que culminou com a ascensão de Getúlio Vargas, em fevereiro de 1930, na condição de conspirador, o ex-tenente Antônio de Siqueira Campos, num domingo, às 8 horas, chegou de trem a Bauru, para fortalecer os vínculos que vinha mantendo com os oposicionistas locais. Da estação ferroviária ele seguiu para o distrito de Tibiriçá e, na fazenda do major Antônio Gonçalves Fraga, encontrou-se com diversos políticos, visando a criação de bases locais que sustentassem o movimento revolucionário em formação.
Logo que rompeu a revolução, foi estabelecido pelas autoridades locais, no sentido de controlar a movimentação dos conspiradores, que para se viajar ao Estado de Mato Grosso utilizando a linha férrea, era necessária a obtenção de um salvo-conduto para esse fim. Fracassado o golpe, em 6 de outubro de 1930 a Câmara Municipal de Bauru reuniu sob a presidência de João Crisóstomo Macedo Guimarães e a presença de Ernesto Monte (vice-prefeito em exercício), Eduardo Vergueiro de Lorena, João Gonçalves Fraga e Frank de Barros Monteiro, sendo aprovada uma moção, condenando energicamente o atentado revolucionário, de forma que a municipalidade oficial prestava a sua solidariedade e apoio ao governo da União e do Estado.
O movimento havia sido abortado e num inquérito aberto pelo governo para apurar quem participou no movimento revolucionário, o capitão Augusto Ribeiro, emissário de Siqueira Campos na época, respondeu em 22 de fevereiro de 1931, às forças do governo, revelando os principais membros do movimento em Bauru: o major Fraga, o jornalista Correia das Neves, Antônio Penteado e o advogado Octávio Pinheiro Brisolla.
Quem foi Antônio de Siqueira Campos? Ele nasceu em Rio Claro em 1898 e faleceu em 10 de maio de 1930, em decorrência de um acidente aéreo quando voltava do Uruguai e o avião que o transportava caiu no Rio da Prata. Militar, participou da Revolta do Forte, no Rio de Janeiro, em julho de 1922, com 18 companheiros que marcharam na orla marítima de Copacabana, em confronto desigual, contra 3.000 militares do governo, sendo derrotados na Rua Barroso, atual Siqueira Campos. Desse confronto somente ele e Eduardo Gomes sobreviveram.
Siqueira Campos, portanto, participou do movimento tenentista que provocou a revolta do forte de Copacabana, com a missão de romper os vícios da política brasileira da época, em que grupos elitistas (os coronelistas) se perpetuavam no poder. Após período de exílio, o tenente Siqueira Campos participou ativamente, como um dos seus principais líderes, da famosa Coluna Prestes-Miguel Costa, que durante três anos levou por diversas regiões do Brasil, a tentativa de derrubar o vício decorrente da Velha República, situação que foi conseguida a partir de outubro de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder.
O autor é formado em Direito pela ITE, fez mestrado na Unesp, pertence à Academia Bauruense de Letras e é colaborador do JornaL da Cidade