A política monetária é um dos instrumentos de política econômica. Entre outras variáveis, utiliza-se da política de juros para monitorar a economia. Se, por exemplo, a inflação desgarra, elevar a taxa de juros inibe o consumo, estimula a poupança, e seria previsível a queda de preços dos bens financiáveis. Por este prisma, a inflação pode ceder. Na outra ponta, quando a economia está debilitada, a redução da taxa de juros pode estimular o consumo, com crédito mais barato, alavancando as vendas e permitindo a esperada recuperação econômica.
Levando em conta a atual conjuntura econômica do Brasil, esta lógica não pode ser utilizada na plenitude. A inflação ainda não se aproximou da meta dos 4,5% ao ano. Há uma trajetória de queda, mas sequer atingiu o limite máximo de 6,5% ao ano. Está além dos 7%. E, concomitantemente, a recessão está presente. Dois anos seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB).
Se os juros caírem imediatamente, os preços podem voltar a subir, portanto, adeus controle inflacionário. Se os juros ficarem no patamar atual, isto é, com taxa anual de 14,25%, se apresentando como uma das maiores taxas reais (descontada a inflação) do mundo, o crescimento econômico é adiado.
O resto do mundo observa aumento de liquidez. Há prática de juros reais negativos, como é o caso do Japão. O dinheiro circula no mundo e busca rentabilidade, com análise de risco. Isso explica em parte a queda da cotação do dólar no Brasil. O Brasil está no lado oposto a esta prática mundial.
A dúvida é: em que momento os juros devem cair aqui no Brasil? Forçar a queda sem que haja análise técnica é incorrer no erro praticado pelo governo Dilma Rousseff em seu primeiro mandato: tentou manter o crescimento econômico com elevação do consumo. Isso somente seria possível com forte ajuste fiscal, o que não ocorreu naquela oportunidade, notadamente em meados de 2013. Pagamos hoje um preço caro por este erro na condução da política econômica.
As avaliações políticas, notadamente os da esquerda, preconizam que os banqueiros é que são os maiores beneficiários da política de juros altos, e que o grosso da população padece com esta prática. Contudo, em contraponto a estes argumentos, lembro que o maior imposto a ser pago pela população carente é o imposto inflacionário. A inflação corrói a renda do trabalhador que, sem sobras e mecanismos de defesa de seu dinheiro, observa a carestia comer seu poder aquisitivo. A aventura dos juros baixos criou novamente este imposto no Brasil e os da esquerda, da direito, do centro, ou sejam lá de onde for, precisam se alinhar a um projeto que efetivamente derrube a inflação no Brasil e com ela venha a queda dos juros.
O grande problema no Brasil é o fato de ele ser um paciente frágil, que depende de remédios amargos e em doses cavalares, diferentemente de outras economias, que com menos juros conseguem equilibrar o mercado, evitando, entre outras consequências a elevação dos preços. Então, pergunto novamente: quando os juros cairão? Quando as contas públicas efetivamente entrarem no eixo, ou no mínimo quando houver a recuperação na confiança dos agentes econômicos. Para isso é preciso de um projeto de longo prazo que indique a direção correta das ações em economia.
Não concordo com as absurdas taxas praticadas pelos bancos que em algumas modalidades de crédito oferecem taxas que oscilam entre 30% e até 250% ao ano, isso outro olhar, mas a taxa básica de juros, esta sim, somente poderá ser reduzida quando a inflação se aproximar do centro da meta, fora isso, é reproduzir um passado que nos condenou.
O autor é economista e articulista do JC