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Com nova manobra, Eduardo Cunha adia recurso sobre cassação


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Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) manobraram para adiar, ontem, a votação de mais uma etapa do seu processo de cassação, um recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em que ele tenta anular o parecer do Conselho de Ética que recomenda a perda do mandato.

A comissão tentará hoje concluir a votação, mas há chance que esse desfecho só ocorra em agosto, na volta dos deputados das férias de julho.

Com longos discursos e tentativas de aprovar requerimentos de adiamento, os deputados próximos a Cunha conseguiram postergar a votação do recurso.

Por volta das 17h20, o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), aliado de Cunha, decidiu encerrar a sessão e retomá-la hoje pela manhã. Cunha esteve na sessão e, em vários momentos, conversou com Serraglio fora dos microfones.

A justificativa do presidente da CCJ foi que não iria se “submeter” a manobras do  presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA).

Isso porque Maranhão remarcou o horário da eleição do novo presidente da Casa, previsto inicialmente para as 16h, para as 19h, a fim de dar tempo para que a CCJ deliberasse o recurso de Cunha.

Maranhão acabou recuando e fixou 17h30 para o início da sessão, que, na prática, só começou às 18h30.

“A gente não vai se submeter a isso. Convocarei para nós continuarmos amanhã, às 9h da manhã”, anunciou o presidente da CCJ.

O aviso provocou imediatos protestos dos adversários de Cunha, que chamaram Serraglio de “vendido” e gritaram em coro “vergonha”. Na prática, isso pode empurrar o desfecho na CCJ para agosto porque pode não haver quorum ou ocorrer outra manobra que adie a votação nesta quinta, último dia de trabalho antes das férias.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) afirmou que foi uma manobra dos aliados de Cunha para que um novo presidente da Câmara aliado do peemedebista possa “colocar por terra todo o processo de cassação”.

Em entrevista após o fim da sessão, Cunha negou ter interferido na decisão de Serraglio. “Eu não pedi nada”, afirmou. O peemedebista também criticou as manobras de Maranhão, afirmando que ele está atuando em defesa dos interesses do PT, e que a Câmara vive uma interinidade “bizarra”.
Cunha ganha tempo para tentar reverter votos a seu favor, embora aliados admitam que a salvação seja difícil. Ontem, votações de dois requerimentos da tropa de Cunha que pediam o adiamento do processo foram derrotados por larga vantagem.

PENÚLTIMA ETAPA

A análise do recurso na CCJ é a penúltima etapa do processo de cassação. Caso o recurso seja rejeitado, como indicam os votos até agora, a cassação vai para o plenário.

Antes, porém, o voto vencedor na CCJ ainda terá que ser lido no plenário e publicado no diário da Câmara para, em um prazo de duas sessões, ser colocado para votação dos deputados.
Como essa etapa é por voto aberto, a expectativa dos correligionários de Eduardo Cunha é de perda do mandato.

Cunha teve sua cassação aprovada no Conselho de Ética por 11 a 9 em 14 de junho, sob acusação que mentiu aos seus pares ao dizer não ter contas no Exterior. 
O Ministério Público da Suíça enviou documentação que apontou Cunha como beneficiário de três contas naquele país, cuja titularidade estava em nome de trusts -instituto que administra bens de terceiros.

A CCJ analisa um recurso de Cunha apontando irregularidades no processo do Conselho de Ética. O relator do recurso, Ronaldo Fonseca (Pros-DF), aliado de Cunha, indicou que fosse refeita a votação final sobre a cassação no Conselho.

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