Regional

Polícia identifica três por linchamento em Jaú

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis/JC Imagens
Local onde Luan Felipe de Oliveira Ribeiro foi morto por populares, no bairro Jardim Padre Augusto Sani, em Jaú

A Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros de Bauru), por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), identificou três pessoas pelo linchamento de Luan Felipe de Oliveira Ribeiro, de 24 anos, no dia 1 de junho deste ano. Um adolescente de 17 anos e dois rapazes, de 21 e 22, foram acusados de cometer o crime. Este, por sua vez, se deu porque uma criança de 11 anos alegou ter sido estuprada pela vítima.

É o que revela o titular da DIG da cidade, Marcelo Tomaz Goes. Segundo ele, desde o dia seguinte ao crime, a delegacia que ele coordena deu início às investigações. No começo, o intuito era identificar Luan, que, na ocasião, não portava qualquer documento. Equipes da DIG e da Delegacia da Defesa da Mulher (DDM) - que passou a apurar a denúncia do estupro - encontraram um documento da vítima, cujo corpo também foi reconhecido pela família.

O exame necroscópico apontou que o rapaz morreu em decorrência de “traumatismo crânio encefálico, provocado pela ação de instrumentos contundentes” - no caso, muito provavelmente, os pedaços de madeira, os tijolos e as pedras, que foram encontrados ao lado do corpo de Luan. 
Diante disso, a polícia conseguiu chegar até quatro suspeitos, todos conhecidos por condutas delitivas. Ordens de buscas domiciliares e prisões temporárias foram deferidas pela 2.ª Vara Criminal de Jaú e cumpridas no último dia 29. Nesta data, T.S.S. - só as iniciais foram divulgadas -, de 21 anos, e C.R.F.R., de 22 , ficaram presos temporariamente. 

Confessou 

Dois adolescentes também foram conduzidos até a delegacia, mas apenas um foi acusado de ter participado do linchamento. J.R.S.N. - só as iniciais foram divulgadas, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) -, de 17 anos, confessou que atropelou a vítima com sua motocicleta.

O jovem disse à polícia que desferiu diversas pauladas na cabeça de Luan e chegou, inclusive, a quebrar o objeto de tanto bater na vítima. O objetivo, segundo ele, era matar o rapaz, por conta da acusação de estupro que ele havia sido alvo. O adolescente reconheceu, ainda, o pedaço de madeira, encontrado ao lado do corpo, como sendo o usado por ele durante as agressões.

O adolescente foi apresentado à Promotoria da Infância e Juventude para que esta tome as providências acerca de sua internação provisória. Porém, a medida não havia sido decretada pela Vara da Infância e Juventude até o fechamento desta edição. 

Outro acusado, de 21 anos, também confessou que agrediu a vítima, mas com socos e chutes, e seu objetivo era matá-la. Já o rapaz de 22, também apontado como autor do linchamento, negou sua participação e disse, ainda, que sequer estava no local do crime. Os dois estão presos na Cadeia de Barra Bonita.

E agora?

Agora, o objetivo é encontrar outros prováveis autores do homicídio qualificado, pelo uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima. O crime prevê uma pena de 12 a 30 anos de reclusão. Quanto aos dois jovens que já estão presos, a Polícia Civil está representando pelas suas prisões preventivas.

O linchamento

 Conforme o JC já noticiou, uma promessa de oferecer um refrigerante a uma criança de 11 anos, seguida de abusos sexuais, foram fortes indícios do motivo do linchamento de Luan, na noite do dia 1 de junho deste ano, no bairro Jardim Padre Augusto Sani, um núcleo habitacional de baixa renda, conhecido pela forte atuação do tráfico de drogas.

O rapaz, que era ex-presidiário, foi acusado pelo estupro e morto por populares. Ele foi atingido com pedaços de madeira, com pedras, com tijolos e com granito. O linchamento aconteceu em um momento tenso no País. Um estupro coletivo, no Rio de Janeiro, comoveu os brasileiros e movimentou as redes sociais.

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