Economia & Negócios

Bovespa sobe no 8º pregão consecutivo e dólar oscila

Por Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 5 min

A Bovespa reduziu o ímpeto, mas mesmo assim registrou sua oitava alta consecutiva, nesta sexta-feira, 15. Depois de ter alternado altas e baixas algumas vezes, o Índice Bovespa voltou ao terreno positivo e fechou em alta de 0,18%, aos 55.578,23 pontos. Com isso, galgou novo pico no ano, situando-se no maior nível desde 18 de maio (56.204 pontos).

O mercado iniciou o dia em baixa, refletindo a postura mais conservadora dos investidores diante do atentado em Nice, que gerou perdas nas bolsas europeias e fortaleceu o dólar frente a moedas emergentes. Os preços do petróleo enfrentaram volatilidade e contribuíram para o movimento vendedor. Por outro lado, dados da economia americana vieram acima do previsto e incentivaram uma alta pontual na Bovespa. A produção industrial subiu 0,6% em junho ante maio, acima da previsão de +0,4%. As vendas no varejo cresceram 0,6% em junho ante maio, contra estimativa de alta de 0,1%.

A virada definitiva veio pouco depois das 15h, puxada por papéis dos setores financeiro e siderúrgico, além das ações preferenciais da Petrobras, que fecharam em alta de 0,82%, acompanhando a consolidação da alta dos preços do petróleo. As ordinárias, preferidas pelos investidores estrangeiros, continuaram em terreno negativo e tiveram baixa de 0,75%.

"O dia parecia que seria de realização de lucros, e o atentado na França era o argumento perfeito para isso. Mas o mercado digeriu esse fator e voltou a prevalecer a melhora do cenário interno", disse Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital. "Permaneceu a expectativa positiva com a economia brasileira, renovada pela vitória de um aliado do governo na eleição do novo presidente da Câmara. O mercado acredita que o governo terá mais força no Congresso", afirmou.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, a maior alta foi de Cesp PNB, que disparou 18,82%, com diversos leilões ao longo da sessão. A valorização foi gerada pela expectativa de privatização da elétrica paulista. Usiminas PNA foi a segunda maior alta do índice (+8,29%), em resposta ao acordo para prorrogar débitos com credores.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula ganho de 7,86% no mês e de 28,21% no ano. Na semana, a alta foi de 4,59%. O volume de negócios no dia foi de 6,88 bilhões, pouco acima da média diária de julho (R$ 6,48 bilhões).

Dólar

O dólar oscilou entre perdas e ganhos ao longo de toda a sessão desta sexta-feira (15), mas se firmou em alta nos minutos finais do pregão, aos R$ 3,2672 (+0,24%) no mercado à vista.

Os momentos de queda, principalmente pela manhã, foram conduzidos pela expectativa de ingresso de recursos no País, em meio ao cenário internacional de liquidez elevada. No entanto, prevaleceu no fechamento do câmbio doméstico a influência do avanço generalizado da moeda no exterior. O giro total ficou em US$ 1,533 bilhão, de acordo os registros da clearing da BM&F Bovespa.

O diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, explicou que a alta lá fora foi sustentada por dados norte-americanos positivos e pela cautela gerada pelo ataque, ontem, na cidade francesa de Nice.

Internamente, a expectativa de ingresso de capital estrangeiro no País limitou a alta do dólar. Com a liquidez elevada no cenário internacional, os participantes do mercado vislumbram que o Brasil consiga atrair parte desses recursos, uma vez que os juros nacionais, com Selic em 14,25%, destoam do cenário de juros negativos em economias desenvolvidas.

No segmento futuro, o contrato de dólar para agosto avançou 0,93%, aos R$ 3,2970, com um volume de negócios de US$ 11,309 bilhões. Por volta das 17h30, o mercado internacional reagiu à informação das Forças Armadas da Turquia de que os militares tomaram o controle do governo para "restabelecer a ordem constitucional". Em resposta, houve forte queda da lira ante o dólar. O primeiro-ministro do País, Binali Yildirim, disse que havia uma tentativa de golpe em andamento e que os responsáveis pagariam caro por isso.

Taxas de juros - Os juros futuros terminaram nesta sexta-feira próximos aos ajustes de ontem. Em dia de noticiário e agenda de indicadores fracos, as taxas tiveram correlação com o dólar, que também operou sem direção firme ao longo da sessão, e influenciadas ainda por um movimento moderado de realização de lucros iniciado na sessão anterior.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 estava em 13,875%, de 13,860% no ajuste de ontem, com 96.445 contratos. O DI janeiro de 2018 (66.620 contratos) passou de 12,67% para 12,69%, e o DI janeiro de 2019, de 12,18% para 12,21%, com 117.690 contratos. O DI janeiro de 2021 (93.290 contratos) fechou em 11,97%, de 11,98%.

Na BM&FBovespa, os contratos de curto prazo passaram o dia perto dos ajustes de ontem, enquanto os longos estiveram mais sujeitos à volatilidade. Pela manhã exibiam recuo, mas começaram a tarde em alta, nas máximas, espelhando o que acontecia no câmbio e no exterior. Os dados de atividade nos EUA acima do esperado fortaleceram a percepção de que o juro norte-americano pode subir em setembro, o que puxou para cima o rendimento dos Treasuries (títulos dos EUA) e a curva aqui acompanhou. Mas, na medida em que o dólar voltou a perder força ante o real, os juros domésticos descolaram da curva americana.

O único indicador da agenda doméstica foi o IGP-10 de julho, que subiu 1,06%, ante variação positiva de 1,42% em junho. O número ficou dentro do previsto pelos analistas consultados pelo Broadcast Projeções, de 0,96% a 1,45%, mas abaixo da mediana de 1,24%.

 

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