O número de vidas perdidas em acidentes com motos voltou a preocupar as autoridades de Bauru. Em um intervalo de apenas 12 dias, cinco motociclistas morreram em acidentes. A vítima mais recente (leia mais abaixo) teve o óbito confirmado ontem. As outras quatro mortes (veja no quadro ao lado) foram registradas dentro da cidade e em rodovias que cortam o município.
O elevado volume de casos levou a Emdurb a decidir pelo reforço das campanhas de conscientização em empresas e instituições. A Polícia Militar (PM) também vem intensificando o patrulhamento nos locais considerados críticos, de acordo com mapeamento realizado pelo Grupo de Ações para Redução de Acidentes de Trânsito (Garat).
Dados da Emdurb revelam que, do início do ano até agora, 11 pessoas morreram em acidentes registrados nas ruas de Bauru e, deste total, oito eram motociclistas. No ano passado inteiro, dez condutores de moto e um passageiro perderam a vida no trânsito urbano. Os números não consideram as ocorrências em rodovias.
“Todos os anos, os motociclistas são os que mais morrem em acidentes”, comenta o gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto. A frota atual de Bauru conta com 265 mil veículos, incluindo 55 mil motocicletas.
Como elas expõem fisicamente o condutor e possuem características de deslocamento bastante específicas, se tornam meios de transporte mais frágeis, conforme destaca o tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da PM. “Independentemente de o motociclista estar certo ou errado, ele sempre será a parte mais vulnerável e, por isso, precisa adotar uma postura defensiva o tempo todo”, observa.
Quando consegue sobreviver a um acidente, o motociclista segue com maiores chances do que outros condutores de sofrer lesões graves, que podem levar a internações de longo prazo ou deixar sequelas irreversíveis. “Além de todas as dificuldades que a vítima e a família irão enfrentar, esta realidade representa um ônus significativo para o sistema de saúde e também para a economia, já que são trabalhadores que deixam de contribuir para o País”, reforça o tenente da PM.
Pontos críticos
Os cruzamentos de vias, com ou sem semáforos, são os locais em que os acidentes mais graves acontecem, quando um dos condutores não respeita a sinalização de trânsito. As ocorrências, contudo, não estão concentradas em regiões específicas da cidade, segundo o gerente da Emdurb.
“Temos uma preocupação com vias como as avenidas Nações Unidas e Castelo Branco, por exemplo, mas é algo pulverizado. Porém, sempre resultado da imprudência: ou do motociclista ou de outro condutor”, completa Nelson Augusto Neto, salientando que campanhas de conscientização serão intensificadas neste segundo semestre, como medida para tentar conter o avanço das estatísticas.
“Vamos mapear a origem e destino dos motociclistas que perderam a vida neste ano e realizar palestras, com alertas nos locais vinculados a estas vítimas, seja no trabalho, em instituições de ensino”, adianta.
Quinta morte
Após seis dias de internação, Lucas Borges, 22 anos, não resistiu à extensão dos ferimentos que sofreu ao se envolver em um acidente na Vila Cardia e morreu em um hospital particular de Bauru, ontem. A colisão entre a motocicleta da vítima e uma Montana ocorreu na manhã do dia 10 de julho, no cruzamento da rua Monteiro Lobato com a avenida Rodrigues Alves, na altura do Cemitério da Saudade. O local possui semáforo e as causas do acidente ainda são investigadas. Lucas estava inconsciente quando foi socorrido e, devido à gravidade dos ferimentos, foi levado à UTI.
Farol aceso
Além de conduzir o veículo de acordo com a legislação de trânsito, a regra número um de todo motociclista para prevenir acidentes é se manter em posição visível para os demais condutores. Para ampliar esta capacidade, o uso do farol dentro da cidade, durante o dia, é uma medida recomendada pelo gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto.
“Isso aumenta a visibilidade nas laterais dos veículos durante uma ultrapassagem, por exemplo, e a distância em que é possível enxergar a motocicleta. Mesmo que ela estiver no ponto cego do veículo, a luz do farol vai alertar o condutor para a presença do motociclista”, avalia.
Antenas 'anticerol'
O Sindicato dos Corretores de Seguros e Resseguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), em parceria com a Polícia Militar (PM), realizou, ontem, a instalação gratuita de antenas de proteção contra cerol em motocicletas. A ação ocorreu entre 9h e 12h, em frente à Base Sul da PM, na Praça Portugal, e foi totalmente gratuita. Ao todo, foram instaladas 400 antenas por uma equipe da Supermoto. Na ocasião, o Sincor-SP também promoveu uma panfletagem orientando quanto ao seguro obrigatório DPVat. De acordo com os dirigentes da entidade, muitas vezes as pessoas vítimas de acidente sofrem com intermediários, que cobram uma porcentagem sobre o valor do seguro. O próprio sindicato explica que faz essa assessoria, sem custo algum. Foram distribuídos 2 mil panfletos.