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Realidade aumentada

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Pokémon Go é a nova (ainda era nova enquanto escrevia) febre dos jogos para smarthphones. O game dá vida ao sonho da realidade aumentada: pela tela do seu aparelho, e com você em movimento, pode-se ver o cenário real ao redor ser invadido pelos bichos virtuais. Monstrengos que deixam a Nintendo feliz. 

Já teve gente atropelada nos países onde a atração virou instantânea sensação: EUA, Austrália, Nova Zelândia. Parece que também Japão. No Brasil, chegando. No momento em que tento minimamente saber sobre a tal febre também cai em mãos uma notícia sobre tour de época que começa pela Igreja Nossa Senhora da Conceição em Vassouras (RJ). Taí uma forma de realidade aumentada criada pela imaginação: ouve-se um guia enquanto caminha-se por onde dom Pedro II esteve e, assim, altera-se a paisagem presente com as imagens da mente. E com conhecimento presente.

Quem já fez algo do tipo sabe como é interessante. A diferença crucial é que, nessa realidade aumentada rumo ao passado, não se joga: apreende-se. Nada contra games, apesar de nunca ter sido aficionado. É que a realidade aumentada tem, ainda, apenas fins de diversão – e de captura do tempo total do adepto. Problema de quem exagera.

Não tenho dúvida de que a nova forma de ver o mundo também terá fins históricos e culturais. E será demais.  Será incrível passear por uma antiga fazenda de café também espiando, pelo celular, inserções de imagem de um tempo que passou, mas que tem algo a enriquecer ao visitante. Espero que chegue logo.

Só o ritmo frenético em nome do lazer é pouco para as possibilidades do que o ser humano é capaz de criar. “Mirabolâncias virtuais” também podem ajudar a criar um mundo novo de conhecimento histórico. Não devem ser apenas tábuas virtuais de salvação financeira para seus ávidos desenvolvedores.

Enquanto isso, a realidade aumentada pela imaginação, por meio de tours de época ou livros incríveis, ainda segue como algo gostoso e engrandecedor de se fazer. Sem comparações. Portanto, e humildemente falando, que as novíssimas invenções possam ir além do que somente ofertar hipnótica pirotecnia em um universo tão divertido quanto histérico – desculpe a sinceridade, Pikachu.

O autor é editor executivo do JC

 

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