| Alex Mita |
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| Fogo Olímpico é reconduzido pela organização no Parque Vitória Régia após circular pelas ruas de Bauru e atrair a multidão |
Sem intercorrências e com forte interação do público, 30 pessoas participaram do revezamento da Tocha Olímpica, cujo percurso teve início da avenida Getúlio Vargas e terminou no Parque Vitória Régia, quando a pira foi acesa pelo professor Norival Agnelli, último a carregar a chama acesa na Grécia e que percorre centenas de cidades brasileiras antes do início dos Jogos no Rio de Janeiro.
“Soube ontem que eu encerraria a passagem. É uma grande emoção. Não tenho como agradecer a todos que me dão e me deram a oportunidade de exercer minhas duas grandes paixões: o magistério e a prática da natação”, disse ele que dá aulas há 41 anos e já conquistou mais de mil medalhas sob as águas.
Os dois participantes do revezamento indicados pela Prefeitura de Bauru, Olga Bicudo e o judoca Mário Sabino, foram dois dos mais ovacionados pela população.
Ambos carregaram a Tocha já na parte final do percurso, na avenida Nações Unidas. Aos 88 anos, a presidente da Apae caminhou pelo percurso, de aproximadamente, 200 metros, e acenou ao público que gritava seu nome.
Sabino, por sua vez, revela que, a despeito do frio, sentiu o calor humano. “A ansiedade foi a mesma que eu sinto antes de entrar no tatame de uma Olimpíada”, comparou o atleta, que, daqui a uma semana, se concentra junto à equipe de judocas brasileiros para participar dos Jogos no Rio.
“O Brasil precisa, neste momento, da união de todos. Vamos torcer muito. Quem sabe esse não seja o primeiro passo para alcançarmos um País melhor”, disse ele ao público presente no Vitório Régia ao final da cerimônia.
O executivo Marcelo Manton, que carregou a Tocha na avenida Rodrigues Alves, contou que não esperava sentir-se tão emocionado. “É ver todo mundo junto, todo mundo igual. Talvez seja esse o sentido”.
Os primeiros
O revezamento teve início às 18h25 e se estendeu por pouco mais de uma hora. O tenista Helder José Gouvêa Silva foi o primeiro empenhar o fogo olímpico e recebeu o apoio da equipe que treina na Associação Luso Brasileira de Bauru.
Uma de suas alunas, Carol Oliveira, 37, levou para a Getúlio Vargas uma frase homenageando o professor. “Ele merece muito. Desenvolve um trabalho fantástico com cadeirantes”.
A Tocha carregada por Helder foi acendida por três estudantes de escolas públicas de Bauru, os anfitriões, selecionados a partir de um concurso de redação: Renato Tadeu Theodoro Júnior, 14, e Vinicius Tonello, 14, da Emef Santa Maria, e Lívia Vita Rodrigues, 17, do Colégio Técnico Industrial (CTI).
“Vou guardar esse momento pelo resto da vida”, contou Renato, que abordou em seu texto a superação de limites dos atletas, especialmente os paraolímpicos. “Eles mostram que, independentemente do tamanho do problema, somos capazes de superar desafios com garra e perseverança”.
Lutadores
Histórias de vida que impressionam cercam os personagens que carregaram a Tocha Olímpica em Bauru. Renata Schiaveto, que não segurou as lágrimas durante o percurso, já chegou ao mundo lutando. Quando sua irmã gêmea nasceu, a equipe médica não a viu e, só depois dos pontos dados, uma enfermeira se deu conta da presença de mais uma bebê no útero de sua mãe.
Fundadora da primeira academia para crianças carentes em Bauru, com pouco dinheiro, Renata travou grandes batalhas para vencer também no esporte. Aos 9 anos, já competia com adultos no atletismo e, aos 12, apaixonou-se pelo judô, tornando-se uma grande campeã.
Segue viagem...
O prefeito Rodrigo Agostinho acompanhou, do palco no Vitória Régia, o acendimento da pira olímpica. Para ele, com o sucesso do evento, que contou com o show do grupo Falamansa, à tarde, a cidade cumpriu sua missão.
“Poucos municípios do Brasil tiveram essa oportunidade. Infelizmente, não pudemos homenagear todos os nossos atletas. São muitos, o que mostra que a cidade respira esporte”, avaliou, ao final do revezamento da Tocha. A chama olímpica passou a noite em Bauru e, nesta segunda-feira, segue para Jaú, Araraquara, São Carlos e Ribeirão Preto.
A Polícia Militar estima que 2 mil pessoas acompanharam a passagem da chama olímpica ao longo dos seis quilômetros de seu percurso na cidade. Aproximadamente 10 mil foram ao Vitória Régia.
Torch Run
A celebração pela passagem da Tocha por Bauru foi aberta horas antes com a realização da Corrida da Tocha (Torch Run), na avenida Getúlio Vargas, seguindo o mesmo trajeto do revezamento do fogo olímpico. Todos os participantes receberam medalhas e camisetas. Os cinco primeiros no masculino e feminino ganharam troféus.
