Cultura

Jovens talentos na "selva de pedra"

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Cenas remetem a símbolos da cidade de Bauru, a exemplo do leão de concreto da Nações Unidas, e a temas delicados como família, violência e justiça com as próprias mãos. Abaixo, Luiza Martha e Thales Mandelli

Parecem amigos, mas não passam de cúmplices no crime; são mãe e filha aparentemente unidas, porém, somente no cenário em que são vítimas. A ideia de que as coisas vão muito além do que mostram em um primeiro olhar é o pano de fundo do longa-metragem â??Falsos Cognatosâ?, trabalho de jovens bauruenses que promete surpreender.

O projeto está no site de financiamento coletivo Catarse (www.catarse.me/filmefalsoscognatos) e conta o apoio de parceiros e apaixonados por cinema em geral para ser rodado com qualidade técnica, provando que é possível, sim, fazer filme no Interior.

â??Seja qual for o resultado da campanha, pretendemos filmar entre setembro e outubro. O dinheiro será usado principalmente no aluguel de equipamentos e no pagamento da equipe técnica e do elenco, pois é uma forma de reconhecer o talento e o empenho de quem está acreditando no nosso filmeâ?, explica Luiz Felipe Rosa, roteirista e diretor do longa.

â??O que arrecadarmos no Catarse será importante para deixar o filme o mais profissional possível. Pretendemos levá-lo para festivais no Brasil todo, o e que ajuda a dar visibilidade ao cinema feito no Interiorâ?, completa Emanuella Quinalha, assistente de direção.

Nações Unidas

A página do filme no Catarse, além de mostrar as recompensas para os colaboradores, apresentar o orçamento e o enredo, tem um teaser, vídeo com uma pequena amostra do que será o longa  (observando-se que â??cognatoâ? é algo que deveria ter origem em comum).

A primeira cena se passa na avenida Nações Unidas e destaca um de seus símbolos: o leão de concreto.

â??Ele representa a â??selva de pedraâ?? e a avenida, o movimento, a cidade viva. O céu e a vegetação de Bauru também devem se contrapor à sensação de prisão na casa em que se passa a históriaâ?, antecipa Luiz Rosa, 26 anos, que é de Bauru, estudou design digital na PUC de Curitiba e cinema nos EUA.

O primeiro conceito foi inspirado no conto â??The Killersâ?, de Ernest Hemingway, e nas obras de Quentin Tarantino, que Luiz agora pesquisa no mestrado em comunicação da Unesp de Bauru.
A história é construída em volta de situação extrema noite adentro numa casa onde duas mulheres se encontram cativas nas mãos de dois assassinos. â??Porém, as impressões nos enganam e nada é o que parece ser à primeira vista. O roteiro trabalha nossa percepção sobre a realidade, onde pressupomos através das aparências, mas estas podem se revelar falsos cognatosâ?, esclarece o idealizador do roteiro. 

Avançou

A intenção de Luiz era colocar mais um curta-metragem no currículo. Entretanto, a inspiração o levou a escrever um roteiro mais complexo e o pessoal que ele convidou para o projeto adorou. Entre elenco e equipe técnica, cerca de 15 pessoas já â??abraçaramâ? de vez o filme.
Motivação não falta. â??Eu nunca vi um filme como esse, que não é comercial e usa o drama para fazer pensar em questões delicadas e importantes; trata de temas com os quais a gente convive, mas não fala tantoâ?, avalia Emanuella.

Entre eles, divergência familiar por orientação sexual, fanatismo religioso, abuso, violência e a linha tênue que separa o agir por vingança, proteção ou pelo desejo de fazer justiça â??com as próprias mãosâ?.

Além das temáticas, o filme quer ressaltar mais o trabalho com os atores, a narrativa e a história bem contada dos que efeitos cinematográficos.

â??Não queremos â??pirarâ?? nas tecnologias e deixar de lado o essencial. Isso não quer dizer criar algo pobre, mas valorizar e fazer bem feito com o que temos. Encontramos aqui pessoas talentosas, dedicadas e com muito potencial. Temos muito conteúdo cultural e fazer cinema não é algo tão distante nesse contextoâ?.

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