| Aceituno Jr. |
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| Homem foi usar a tinta e percebeu que a mistura “não pinta nada” |
Um novo golpe chegou a Bauru. E chegou a bordo de uma picape prata, placas de Pederneiras. É um veículo desse modelo que um homem usa para ir, de casa em casa, oferecendo latas de tinta a um preço mais do que atraente. O problema é que o material é uma mistura pastosa sem qualquer aderência. Conforme declarou uma vítima, “parece um mingau”.
Um funcionário público de 54 anos descobriu somente ontem que fora vítima do golpe, no Santa Luzia. Ele conta que, na semana passada, sua esposa foi abordada e achou que fazia o “negócio da China” ao adquirir o produto.
“Foi na quinta-feira. Este homem chegou e ofereceu as latas de 18 litros de latéx acrílico, dizendo que era de uma marca famosa. Sabemos que, na loja, custa cerca de R$ 400. Ele oferecia por R$ 200. Falava que era ‘sobra’ de uma construção e, por isso, estava tão barato”, conta.
O estelionatário chegou a mostrar notas fiscais do produto, provavelmente falsificadas. “Ela (a esposa) ainda negociou e acabou ficando por R$ 100. O homem até ofereceu abrir as latas de tinta na frente dela”.
Segundo a vítima, outros dois vizinhos também adquiriram o material na ocasião. “E pode ter muito mais gente”, ressalva.
Surpresa infeliz
Ontem, quando o marido foi usar o produto para pintar sua casa teve a ingrata surpresa. “Era golpe. Não pinta nada. Parece um mingau. Eu passo na parede e ela sai com um pano. Só passar água e sai”.
Após notar a inconsistência do produto, ele foi analisar a lata adquirida e percebeu que não era da famosa marca de tintas. “Eles usam as mesmas cores, as letras e um nome parecido. Foi mesmo um golpe. As pessoas precisam ficar alerta. Em um descuido, tivemos um prejuízo de R$ 100”, completa a vítima, indignada.
“A dica geral que fica em todo tipo de caso assim é para a pessoa desconfiar de tudo que aparenta ser muito fácil, muito vantajoso”, alerta o delegado Marcelo Alves Firmino, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Polícia aponta que nunca houve casos parecidos por aqui
Informado pela reportagem sobre o fato, o delegado Marcelo Firmino afirmou que não se recorda de golpe semelhante em Bauru.
Pela Internet, é possível encontrar notícias de vítimas lesadas em várias cidades de São Paulo e também em outros Estados, como no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba.
A Polícia Civil não havia tido ciência do caso até ontem, uma vez que a vítima que conversou com o JC afirmou não pretender registrar o boletim de ocorrência (BO). “Tem que fazer o registro para que a polícia possa investigar. Não temos como adivinhar. É muito importante que as pessoas façam a denúncia”, ressalta o delegado.
Ele ainda explica que, quando uma vítima notifica a polícia, é comum aparecerem mais vítimas. Desse modo, segundo Marcelo Firmino, quando mais denúncias, mais complicada fica a situação do golpista ao ser preso.
