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Óleo de cozinha é a maior causa de esgoto entupido

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

DAE/Divulgação
Equipe do DAE levou aproximadamente quatro horas para retirar blocos de gordura na avenida José Henrique Ferraz

Os blocos maciços retirados da rede de esgoto pelas equipes do DAE mal lembram a aparência da substância que os deram origem. Mas eles são resultado do óleo de cozinha, aquele comum, descartado por estabelecimentos e imóveis residenciais.

A prática, que demonstra a falta de consciência de comerciantes e da população como um todo, é um enorme problema para o sistema de captação de esgoto de Bauru. E é na região Central, onde há grande concentração de restaurantes e outros estabelecimentos que comercializam alimentos, que a situação ganha proporções ainda mais preocupantes.

Levantamento do DAE aponta que, nos últimos 14 meses, foram realizados 1.832 serviços de desentupimento da rede coletora somente nesta área da cidade - uma média de quatro desobstruções a cada dia. Segundo o departamento, o descarte irregular de óleo de cozinha é o principal “vilão”.

A grande maioria dos estabelecimentos são construções antigas, que não possuem caixa de gordura instalada ou, se possuem, estão obsoletas. Por isso, muitos comerciantes acabam descartando o óleo in natura diretamente na rede, causando o entupimento de tubulações, poços de visita e caixas de inspeção do DAE”, pontua o diretor da divisão técnica do departamento, José Antônio Montalvão.

Ele salienta que, na zona sul, onde também há grande concentração de bares e restaurantes, o problema não se repete porque praticamente todo o comércio, construído em padrões mais atuais, possui as devidas caixas de gordura. O dispositivo é responsável por impedir que o óleo seja lançado na rede coletora junto com o restante do esgoto. 

Extravasamento

Para que funcione, contudo, a caixa precisa ser higienizada periodicamente para evitar o acúmulo de gordura. “A manutenção precisa ocorrer mais ou menos a cada seis meses, senão a gordura irá para a rede do mesmo jeito”, aponta.

Montalvão explica que, quando os estabelecimentos não possuem caixa de gordura ou não as mantém devidamente limpas, o óleo descartado vai aderindo às paredes internas da tubulação e, aos poucos, retendo outros dejetos que também não deveriam estar na rede, como fios de cabelo, papel higiênico e pedaços de pano.

“Em caixas de inspeção do DAE na região central, já chegamos a encontrar camadas de mais 40 de centímetros de altura, que se solidificam”, pontua o diretor. Quando a passagem fica completamente obstruída, o esgoto pode retornar aos imóveis ou extravasar na rua, gerando desconforto a todos.

Nos bairros as oficinas preocupam

Alex Mita
Na semana passada, equipes do DAE também trabalharam em desobstrução de esgoto na rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, quadra 3, Jd. Amália

Se o lançamento de óleo de cozinha é mais preocupante na região central, em alguns bairros de Bauru o descarte de graxa é o maior causador de entupimentos na rede de esgoto. De acordo com José Antônio Montalvão, regiões como a do Novo Jardim Pagani e do Jardim Contorno, que reúnem grande quantidade de oficinas mecânicas, são bastante críticas neste sentido.

“Muitas fazem manutenções em caminhões de grande porte e, ao não tomar nenhum cuidado com a graxa, acabam causando danos frequentes na nossa rede, provocando, inclusive, o retorno do esgoto para os imóveis”, pontua.

Para oficinas e estabelecimento de lavagem de veículos, o recomendado é a instalação de caixas separadoras de óleo, que são distintas das caixas de gordura, conforme explica o diretor do DAE. “Também existem modelos prontos, de fácil instalação, que demandam manutenção, em média, a cada quatro meses”, completa.

Como evitar

Para evitar que isso aconteça, o recomendado é que todos os imóveis – comerciais ou residenciais - tenham caixas de gordura. Em casa, o ideal é que os moradores armazenem o óleo usado em garrafas pet e as destine para um dos sete ecopontos da cidade ou para empresas, como alguns supermercados, que recebem este tipo de material. Vale lembrar que a coleta seletiva da Emdurb não recolhe o produto.

Caixa de gordura

A ausência das caixas de gordura afeta principalmente estabelecimentos comerciais mantidos em edificações antigas. Instalação pode ser feita com relativa facilidade, até mesmo dentro dos imóveis. “Alguns modelos prontos podem ser comprados em lojas de materiais de construção. Elas podem ser instaladas no próprio piso da empresa, porque são seguras, com tampas aprovadas pelas normas técnicas, que não deixam escapar qualquer cheiro, além de serem discretas e adequadas para qualquer ambiente”, detalha o diretor da divisão técnica do DAE, José Antônio Montalvão.

Punição

A lei municipal nº 4.362, de 12 de janeiro de 1999, que instituiu o Código Ambiental do Município, prevê, em seu artigo 68, punição às empresas que descartarem qualquer forma de matéria, energia e substância em qualquer estado físico que prejudiquem o solo, o ar, o subsolo, a água, a fauna e a flora. Segundo a prefeitura, a fiscalização é realizada por agentes de proteção ambiental e, durante as vistorias, as empresas ficam sujeitas a advertências e autos de constatação e de infração. A multa pode chegar a R$ 5 mil.

A Secretaria Municipal de Planejamento informou que não exige instalação de caixa de gordura nos imóveis residenciais. 

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