Foi confirmado ontem o reajuste de 9,7% na tarifa da água em Bauru, cuja correção acompanha a variação da inflação nos últimos 12 meses. Já o DAE reivindicava variação de 36,64% nos valores cobrados à população. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) já havia confirmado ao JC, na edição de sábado, que não autorizaria alta majoração. A decisão, no entanto, foi duramente criticada pelo presidente da autarquia, Giasone Candia.
“Ainda não é um valor que vai equilibrar o nosso orçamento. Não há condições de fazer tudo o que precisamos com o reajuste menor. Teremos que reduzir as despesas e fazer o mínimo possível de investimentos”, diz.
“Nós reconhecemos o argumento do prefeito (Rodrigo Agostinho), que levou em conta o cenário nacional de crise. Ele revolveu não penalizar o contribuinte e penalizar mais o DAE”, acrescenta Candia.
Ele revela que haverá morosidade na execução de alguns serviços e dificuldade de manter equipamentos e produtos. “Temos mais de 200 veículos e maquinários. O valor das peças e do combustível aumentaram. Os produtos que usamos na ETA (Estação de Tratamento de Água) tiveram acréscimo, pois muitos são importados. Esse índice não dá nem pra isso”, contesta.
O reajuste será aplicado de forma linear a todas categorias de consumidores (residencial, comercial, industrial e pública). A tarifa residencial mínima para consumo de até 6 mil litros de água por mês terá um acréscimo de R$ 1,85, passando dos atuais R$ 19,04 para R$ 20,89.
O decreto será publicado no Diário Oficial de amanhã e os novos valores já serão aplicados às contas com vencimento em agosto, quando completará um ano do último reajuste na tarifa de água, majorada em 35% pelo prefeito, após solicitação de aumento de 57% pelo DAE.
Na ocasião, o governo alegou que o caixa da autarquia foi afetado pela disparada do custo da energia elétrica.
“Mesmo com o pouco aumento, até o final do ano eu creio que conseguiremos alcançar um resultado positivo. Não sei como vai ficar a partir de 2017”, preocupa-se Giasone Candia.
“Mas não posso penalizar o contribuinte. Há alguns anos, a gente já vem reajustando a tarifa acima da inflação até porque os insumos do DAE têm subido bastante”, argumentou o prefeito Rodrigo Agostinho, em matéria publicada pelo JC sobre o assunto no último sábado.
Rodrigo cobra ‘rigor’ nas finanças do DAE
Em contraponto às declarações do presidente do DAE, Giasone Candia, o prefeito Rodrigo Agostinho afirma que, frente o reajuste de 9,7%, a autarquia terá que ser “mais rigorosa” com suas despesas.
“Sei que não é a correção dos sonhos da autarquia, que tem o desejo de continuar investindo, mas não posso determinar novo aumento acima da inflação, depois dos 35% do ano passado”, argumenta.
Rodrigo rebate ainda que o índice de perdas de água seja o motivo que impeça o município de acessar recursos federais para viabilizar as obras de setorização da rede de água, que dariam fim ao problema crônico de vazamentos.
“Na verdade, esse dinheiro não existe. Não há editais abertos para essa finalidade. Na última vez em que isso ocorreu, o governo preferiu pleitear a verba para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE)”, afirma o prefeito.
Vazando
Presidente do DAE, Giasone Candia, disse que a prioridade é consertar os vazamentos e buracos nas vias da cidade. Para tanto, haveria a necessidade de recursos federais, mas o índice de perdas de água impede o município de obter dinheiro externo para sanar os problemas apontados pelo Plano Diretor de Água (PDA), apresentado em 2014.
Em Bauru, como já noticiado pelo JC, perde-se cerca de 49% da água produzida. Ou seja, por diversas razões o DAE deixa de receber por quase metade da água que produz. “Nós temos uma rede muito antiga e outros fatores que influenciam. Enquanto não tivermos a verba federal, o problema vai continuar”, diz Candia.
No início do governo Rodrigo Agostinho, o índice de perdas girava em torno de 38%.