Um dia, no ventre, tudo foi evoluindo em segurança.
Havia casa, comida, músicas, atenção especial, encorajamento externo e interno. O prisma ia clareando conforme os dias avançavam e uma porta parecia que estava sendo construída.
Dito e feito. A porta abriu e a luz ficou mais nítida, com vozes mais altas, mais perto do berro do que do silêncio. O ar não tão puro obriga os pulmões a se dilataram, o choro se enrosca com a limpeza do rosto e do corpo. Rapidamente algo sintético encobre o nascimento. Manta, roupa, gorro, meia, tudo para a proteção.
Mas já não estava protegido nu? Por que toda esta armadura?
Sim, armadura de guerra, de proteção extrema, para que sobreviva aos dias futuros. Mas se estava protegido, por que agora não está mais e, pior, por que foi expelido? A resposta está na palavra evolução.
No colo fértil da árvore materna, não criou raízes, mas sim meios e sentidos para sobreviver à maior de todas as florestas hostis que verá, “a floresta da vida humana”.
Agora que sabe, lance suas sementes ao vento e busque seu canto de sol, água, solo e vida, para fincar suas raízes e gerar o ciclo de novo.
Não há estéreis, mas sim pensamentos curtos.
Não há perdas, mas sim olhar distorcido.
Não há falta de adubos, mas sim medo de germinar.
Aproveite agora. Ponha a mão no bolso e ache sua semente.