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Sinais de melhoria na economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Já é possível observar que os agentes econômicos aos poucos retomam a confiança na economia brasileira. Há um longo caminho a ser percorrido até que tenhamos a tão sonhada sustentação da economia, mas é possível avaliar que o pior já passou. Na prática, o País parou de piorar. Se pensarmos em um formato da letra U, estamos neste momento na parte de baixo desta letra, indicando que houve um período de queda na economia, representada pela recessão apurada, chegando agora na base da letra U, que durará certo período, para em seguida iniciar a trajetória de retomada. Poderia eventualmente ser a letra V, contudo, pois avalio que o período para retomada do crescimento ainda não chegou, portanto, é preciso ter paciência.

Este cenário ocorre devido ao encaminhamento mais previsível do que é necessário fazer para atacar as verdadeiras causas do desequilíbrio de nossa economia. Há quase unanimidade de que sem ajuste fiscal, portanto, praticar política fiscal austera, o País não engrena. Ao enviar ao Congresso Nacional o limitador no aumento dos gastos públicos, a equipe econômica do presidente Temer ofereceu mais do que argumentos para entender que a coisa é séria: haverá sim redução no tamanho do Estado e isso é bom. Outra questão fundamental para que as previsões sejam mais otimistas é o fato de o Banco Central focar no controle efetivo da inflação.

De inflação anualizada de dois dígitos, o País opera com expectativa de um índice neste ano na casa dos 7%, com forte tendência de aproximar do centro da meta (4,5%) nos próximos dois anos.  Os instrumentos de política monetária estão sendo utilizados em sua plenitude, o que garante projetar maior controle dos preços.

Outras questões também são relevantes. A sinalização das concessões de obras públicas, a securitização de recebíveis, os investimentos em infraestrutura e a indicação de novas privatizações vão ao encontro de quem deseja um Estado mais enxuto, mais produtivo e mais eficaz. Há uma longa negociação com o Congresso Nacional, principalmente nas questões estruturantes, como é o caso da Previdência Social, mas a retomada da confiança dos empresários, dos consumidores, enfim, dos agentes econômicos é um e importante primeiro passo. Cá entre nós: passou da hora de o País iniciar um novo ciclo neste caso virtuoso, saindo do ciclo vicioso. Evidentemente que isso não se dá com artificialismo e somente como vontade política, mas é possível indicar dias melhores com direcionamentos certeiros, e é isso que observo.

Se de um lado ainda teremos um caminho mesmo que curto a percorrer (pelo menos até o fim do ano) antes da retomada da economia, de outro lado a perspectiva de eliminar a recessão, e já em 2017, renova as esperanças de que colheremos melhores frutos ali na frente. Nada que indique a recuperação de tudo que foi perdido neste período, mas o fato de já termos uma luz no fim do túnel já é capaz de remotivar boa parte da população. Até pouco tempo sequer enxergávamos o túnel, quanto mais luz em seu final.  É chegado momento de retomarmos o otimismo realista. Os sinais da economia vão nesta direção.


O autor é economista e articulista do JC

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