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Crise na indústria, na política e o "mico" das Olimpíadas

Alessandra Sacomani e Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 3 min

A forte indústria brasileira tem sido esculhambada pelos reflexos da corrupção generalizada instalada no governo federal nos últimos anos. O uso maléfico da corrupção governamental do governo do PT nas estatais brasileiras levou a indústria brasileira a sofrer um dos seus piores reveses da história. Em 2016, a produção industrial brasileira apresentou uma queda de 9,8% entre janeiro e maio, desde outubro de 2009, quando foi registrado 10,3%.

A crise que vivemos hoje no Brasil não é tanto econômica, mas uma crise política, moral e institucional por falta de credibilidade de um governo medíocre, que chegou ao poder apostando em mudança e acabou em pesadelo sem perspectivas de acordar ao menos nos próximos quatro anos. O ex-presidente Lula, que sempre pregou que a mudança traria uma nova oportunidade para os pobres, deixou os pobres mais pobres e os ricos menos ricos. O gigante da indústria pujante, do agronegócio em alta, da supervalorização dos biocombustíveis, está se tornando a vergonha da América Latina e motivo de deboche para o Mundo. Alguns polos industriais do Interior paulista têm sentido esses efeitos nos seus negócios e estão sendo necessários cortes de investimentos e recursos humanos para se adequarem à crise instalada e sem vistas de melhora a curto prazo.

A depenação das estatais brasileiras elevou o Brasil no ranking de países sem estruturas para combater a corrupção política e rebaixou o País nos quesitos econômicos. O resultado da incapacidade de governar o maior País da América Latina são empresas demitindo colaboradores, fechando as portas e tendo que amargar um futuro ainda incerto. Na região de Bauru, grandes indústrias de diversos segmentos estão precisando fazer adequações funcionais para se manterem vivas no mercado. E as pequenas, então, nem se falr, estão literalmente fechando as portas. É só darmos uma volta pelo Centro e Altos da Cidade de Bauru para vermos quantos imóveis estão sendo locados, alguns estão com as placas “aluga-se” há meses.

A crise pegou todos os segmentos produtivos da cadeia industrial brasileira e, como se tudo isso não bastasse, ainda teremos que pagar as contas da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 e ainda ver o Brasil ostentando uma riqueza que não tem. Quantas obras que eram para ficar prontas antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas, como por exemplo, o monotrilho de São Paulo, ainda não foram entregues?! Tanto a Copa do Mundo de 2014 quanto os Jogos Olímpicos de 2016 não foram boas escolhas de eventos a serem realizados no País, uma vez que o dinheiro gasto nesses acontecimentos poderia financiar o desenvolvimento da Nação com infraestrutura que colocaria o Brasil em uma outra rota de ampliação econômica.

Nem sempre as mudanças políticas são boas, trocar o certo pelo duvidoso, o experiente pelo inexperiente, pode causar sérias complicações políticas e econômicas. Para governar é preciso estar preparado para as demandas, ter responsabilidades, ter honestidade, saber direcionar o dinheiro público e ser um gestor de alto nível, sem muita falácia.

                               

Os autores - Alessandra Sacomani é economista e consultora e Sidney Aguiar é especialista em sustentabilidade e colaborador do JC.

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