O Ministério Público Federal requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) urgência no julgamento da denúncia criminal contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) e do marido dela, o ex-ministro do Planejamento (Governo Lula), Paulo Bernardo.
A acusação diz que em 2010 a campanha de Gleisi recebeu R$ 1 milhão do esquema de propinas instalado na Petrobras.
Em manifestação ao STF, a procuradora-geral da República em exercício Ela Wiecko afirma que Paulo Bernardo agiu como “verdadeiro operador” de Gleisi. A base da denúncia da Procuradoria-Geral da República são as delações premiadas do ex-diretor da Petrobtras Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e do doleiro Alberto Youssef, personagens decisivos da Operação Lava Jato - suas revelações incriminaram dezenas de políticos com foro privilegiado perante a Corte máxima, entre deputados e senadores.
Paulo Bernardo foi preso na Operação Custo Brasil, deflagrada em junho pela Polícia Federal e pela Procuradoria em São Paulo. Ele teria recebido R$ 7,1 milhões em propinas. Seis dias depois de sua prisão, o ex-ministro foi solto por ordem de Dias Toffoli, ministro do STF.
Defesa
A defesa da senadora e do ex-ministro rechaçou a acusação. “Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da senadora”, destacaram, os advogados Verônica Sterman e Rodrigo Mudrovitsch. “A denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido. Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal”, disseram.
Os advogados que defendem Gleisi e Paulo Bernardo anotaram, ainda, que “são inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores que embasam a denúncia, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações”. “Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que seis versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram”, afirmam.
Dilma
A presidente afastada Dilma Rousseff obteve mais 30 dias de prazo para apresentar suas justificativas sobre indícios de irregularidades apontados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na prestação de contas dela referente ao ano de 2015.
O novo prazo vencerá na segunda quinzena de agosto.