Geral

Karla e Marcely se conhecem após doação de medula

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Karla Santos Ducati e Marcely Vicente Klein: a emoção tomou conta de ambas, ontem, durante encontro em Bauru; após doação de medula óssea, as duas já se consideram irmãs de sangue

Uma atitude simples, mas extremamente simbólica salvou a vida da bancária Marcely Vicente Klein, 30 anos, que vive em Vila Velha, no Espírito Santo. Ela recebeu uma doação de medula óssea da pedagoga Karla Santos Ducatti, de 31 anos, que mora em Bauru. Ontem, Marcely veio até a cidade para conhecê-la pessoalmente. “Ganhei uma irmã de sangue, literalmente”, reforça a bancária.

Tudo começou em setembro de 2010, quando Marcely descobriu que estava com leucemia. De imediato, começou a fazer quimioterapia. “Cheguei a ficar 19 dias internada no hospital e meu cabelo caiu. Tive de parar de trabalhar e de estudar”, relata. Por sorte, em dezembro de 2011, a doença sucumbiu ao tratamento. “Não foi necessário o transplante, porque eu era muito nova e respondi bem à quimioterapia”, acrescenta.

Em 2014, porém, a doença voltou. Após seis meses de tratamento, Marcely teve de ir atrás de um doador no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), porque seus dois irmãos não eram compatíveis. De pronto, ela encontrou Karla. “Eu tentei fazer uma doação de sangue, mas não consegui, porque minhas veias são muito finais. Então, propuseram que eu me cadastrasse como doadora de medula. Topei na hora”, conta a pedagoga.

As chances de Marcely encontrar um doador compatível eram de, em média, uma a cada 100 mil pessoas. “O engraçado é que Karla apareceu no mesmo dia em que pesquisamos no Redome. Foi um milagre”, reforça Marcely. Só que as duas tiveram de esperar um ano e meio para, de fato, se conhecer. “É uma regra deles. Na época, minha maior preocupação era saber se Marcely estava bem”, frisa Karla.

Por telefone

Quando as duas, finalmente, conseguiram o contato uma da outra, Marcely ligou para Karla. “Não conseguíamos nos falar, porque choramos por um bom tempo. Além disso, a medula da Karla foi poderosa. Normalmente, ela pega depois de 15 dias da infusão. No meu caso, isso ocorreu em dez dias. Foi uma atitude grandiosa. Talvez uma pessoa que me conhecesse não fizesse o tanto que Karla fez por mim, sem sequer quem eu era”, elogia. Já Karla afirma que o maior problema é a falta de informação. “Muita gente não doa medula porque pensa que tem de passar por procedimento cirúrgico semelhante à doação de órgãos. Não é assim. Para se cadastrar, é bem simples. Basta ceder cinco mililitros de sangue”, defende. Marcely, por sua vez, considera a doadora como uma irmã. “Afinal, o sangue dela corre em minhas veias.”

Comentários

Comentários