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"Berço" das obras de Paulovic

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
No período de 1923 a 1966, Francisco Paulovic pintou e decorou igrejas e capelas no Interior do Estado de São Paulo e uma no Paraná

Francisco Paulovic foi um artista que nasceu na Eslovênia em 1892. Especialista em arte sacra, ele trouxe para o Brasil a profissão de pintor-decorador de igrejas, técnica herdada dos mestres europeus. 

No período de 1923 a 1966, pintou e decorou igrejas e capelas no Interior do Estado de São Paulo e uma no Paraná.  Na região de Bauru, ele deixou suas marcas em Aparecida de São Manuel, Guarantã, Cafelândia, Pirajuí, Marília, Avaré e Birigui.

Na igreja matriz de Santa Terezinha em Guarantã (foto acima), dez de seus painéis são restaurados. Oito deles estão prontos. Em Cafelândia, sua obra pode ser vista do lado de fora da igreja, onde esculpiu os 12 apóstolos. Pinturas do interior da igreja, contudo, foram lixadas e perdidas. 

Falecido em 2013, aos 72 anos, o professor Sidney Carlos Aznar, que viveu muitos anos em Cafelândia, contava em um de seus artigos que Paulovic  buscou ornamentos na flora para preencher os espaços vazios de suas obras. 

“É constante [dele] oferecer-nos cena onde o sagrado confunde-se com o profano, levando-nos a uma contemplação sacralizada”.

As obras do mestre Paulovic, na opinião de Aznar, demonstram maturidade espiritual, no plano em que coloca Deus, santos e anjos. Ao pintar o planejamento das figuras sagradas, não segue o quase exagero do final da Idade Média e do Renascimento pelos artistas dessa época. “É um maneirista simplista, esteve sempre à procura de soluções diferentes, não usando as usuais. O planejamento pintado nas vestes de seus personagens é claro e leve; às vezes usava de um contorno sutil, para dar volume, era quase uma ilusão de ótica.”
Na análise dos painéis pintados por Paulovic, o professor ressaltava que a obra pictória religiosa do mestre, não lembra o pecado, são imagens arquetípicas expressas por ele, oferecendo ao público, momentos de reflexão. 

“Adentrando em uma igreja pintada e decorada por Paulovic , nosso olhar é dirigido para espaços infinitos; não havendo uma fragmentação do real para a expressão alcançar o ideal da comunicação de suas obras.”

O esloveno estudou pintura e escultura na Escola Superior de Artes Aplicadas em Viena, Aústria. Chegou ao Brasil, em 1923. então, foi para Pirajuí, onde morava seu irmão. 

De acordo com a história, ele chegou a ser prisioneiro num campo de concentração por dois anos, após ser capturado pelo exército russo durante a Primeira Guerra Mundial. Ao ser libertado, mudou-se para o Brasil. 

Casou-se em Pirajuí com Antonia Penko, também eslovena. Morou em Cafelândia por um bom tempo. Paulovic, segundo quem o conheceu, era introvertido e viveu no anonimato. Não assinava os painéis que pintava nos templos.  

Viveu da arte e, embora muito admirado, não ficou famoso. Até hoje é pouco conhecido mesmo nas cidades onde estão as suas obras sacras. 

Você sabia?

A partir de 1966, quando já estava com 74 anos, Paulovic passou a se dedicar à pintura de quadros, utilizando as técnicas de óleo sobre tela e óleo sobre madeira. Seus temas preferidos eram flores e paisagens naturais. Morreu em 1981, com 89 anos de idade, em Oriente. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Cafelândia (Fonte: Wikipédia)

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