| Alex Mita |
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| Irmãos Moisés e Jair Dal Col em igreja de Guarantã que tem os painéis de Paulovic: campanha |
A restauração dos dez painéis pintados na Igreja matriz de Santa Terezinha de Guarantã teve um custo total de R$ 50 mil. Para arcar com esse valor a igreja fez uma campanha junto às famílias católicas da cidade. Algumas delas são formadas justamente por descendentes daqueles que haviam patrocinado a pintura original.
Dez famílias abraçaram a causa. Cada uma delas pagou pela restauração de um painel, no valor de R$ 5 mil. O pagamento foi feito em 10 vezes para facilitar a adoção, as parcelas foram de R$ 500,00. O padre José Francisco Banwart se emociona ao contar que a restauração só foi possível graças aos fiéis. “São pessoas simples que entenderam a importância do trabalho.”
Ele explica que, originalmente, as obras continham o nome da família que patrocinou a pintura.
“Hoje não existe mais o nome dos patrocinadores das obras. Resolvemos colocar no pé de cada painel o nome da família que está patrocinando a restauração. Alguns são descendentes dos primeiros doadores. Eles assumiram o painel para manter a tradição. Os painéis originais não foram assinados por Paulovic. Ele era muito discreto.”
A família Dal Col está patrocinando a restauração de um painel. Seus ascendentes patrocinaram a pintura original, conta Moisés. “Eu e meus irmãos nascemos aqui. Eu era uma criança quando esse trabalho estava sendo realizado por Paulovic. Eu vinha ver ele desenhar e pintar. Muitas crianças presenciaram o trabalho dele.”
Moisés e seus três irmãos resolveram assumir a restauração do painel que originalmente fora patrocinado pelos seus ascendentes. “Eu estou com 73 anos e feliz por poder patrocinar a restauração. Faz parte da história da nossa família. Eu, Jair, Aparecido e Alcides assumimos o pagamento.”
‘Adoção’
Outro fiel que contribuiu com a campanha foi o ministro da eucaristia Sebastião Carvalho, 63 anos. “Eu fui o primeiro a aceitar pagar a restauração. Sou devoto do Sagrado Coração de Jesus e escolhi esse painel para adotar. Há 12 anos, a igreja tentou restaurar os painéis, mas não houve adesão e eles ficaram sem restaurar. Depois da reforma, acredito que as pessoas ficaram mais incentivadas.”
A campanha foi desenvolvida pelo pároco, lembra Carvalho. “Ele visitou as famílias e falou da importância de restaurar as obras. A família que tinha condições financeiras não refutou. São 10 famílias que entraram na campanha. Estamos pagamento a última prestação. Eu acho que o trabalho está ficando muito bom.”
Ele lamenta que, nas paredes que rodeiam o altar-mor, as pinturas tenham sido, afinal, cobertas com tinta comum.
“Apagaram algumas pinturas do altar. Essa igreja era mais bonita do que é hoje. Mas passaram vários padres. Um deles mandou pintar o altar. No fundo e nas laterais tinham pinturas do Paulovic. O forro era de madeira pintada. Hoje é de PVC, sem pintura. As infiltrações obrigaram a troca do telhado. Chovia dentro da igreja. As infiltrações prejudicaram algumas pinturas das paredes.”
