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Tráfego da Marechal Rondon é duas vezes mais intenso no trecho urbano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Máquinas trabalham no trevo da Eny desde junho, quando construção das marginais foi iniciada

Usado como rota de interligação entre bairros por grande parte dos bauruenses, o trecho urbano da rodovia Marechal Rondon recebe tráfego duas vezes maior que nos segmentos subsequentes em direção a Avaí e Agudos. A cada dia, passam pelo local cerca de 24 mil veículos, segundo dados da ViaRondon, concessionária que administra a rodovia.

O grande fluxo, associado ao conflito gerado entre o tráfego local e rodoviário, aumenta o risco de acidentes no trecho, além de reduzir as condições de mobilidade dos motoristas. Uma realidade que deverá ser modificada com a construção das pistas marginais em ambos os sentidos. As obras já foram iniciadas e, conforme o JC divulgou, deverão ser concluídas em abril de 2018. 

As estatísticas apontam que, fora do perímetro urbano, compreendido entre o trevo da Eny até o trevo de acesso ao Núcleo Gasparini, a sobrecarga diminui consideravelmente. De acordo com contagem realizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no ano passado, nas imediações de Avaí, são 8.487 veículos circulando por dia nos dois sentidos da rodovia. Já na altura de Agudos, o volume diário não ultrapassa 13.555 veículos.

Superintendente de engenharia da ViaRondon, Gianpaulo Novelli observa que, de todo o trecho da Rondon sob concessão da empresa, o que passa por Bauru concentra, com folga, o maior fluxo de veículos. “Nos demais, a média cai bastante, realmente. Por isso a necessidade de implantar as marginais onde a rodovia passa pela cidade”, reforça.

Segundo cálculos da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a Rondon possui, hoje, capacidade para receber 4 mil veículos por hora, em cada um dos sentidos. Com a implantação das vias marginais, a estimativa é que o limite no trecho urbano seja aumentado para 7,6 mil veículos por hora, por sentido.

‘Tempo precioso’

Trata-se de uma mudança que deverá facilitar muito a vida dos motoristas que usam o percurso com frequência, como a enfermeira Katia Trevisan da Silva, 42 anos. Moradora do Jardim Contorno, ela se desloca diariamente até o Núcleo Mary Dota e o Centro de Progressão Penitenciária, seus dois endereços de trabalho. “Pela rodovia, levo só 13 minutos. É o modo mais rápido de ir e voltar para casa. Para quem tem dois empregos, como eu, e pouco tempo para descansar, cada minuto é precioso”, pondera. 

Katia diz que espera, com a construção das marginais, que o trajeto fique mais seguro e menos carregado nos horários de pico. É uma expectativa alimentada também pelo engenheiro de aplicação Pedro Lombardi, 56 anos, que, assim como ela, usa a Rondon diariamente.

“A mistura do trânsito urbano com o rodoviário, habitualmente, gera muitos acidentes. Na região de Campinas, o trânsito melhorou bastante nas rodovias que ganharam marginais e acho que o mesmo deve ocorrer aqui em Bauru”, avalia.

Interdições na pista só começam em 2017

Prevista no contrato de concessão do governo estadual com a ViaRondon, a implantação das marginais nos dois sentidos da rodovia, entre os quilômetros 336,5 e 347,7, demandará R$ 120 milhões em investimentos. Os recursos são advindos de financiamentos, mas, principalmente, da arrecadação da empresa com pedágios.  Conforme o JC divulgou, as obras começaram no mês passado e seguem, por enquanto, próximo ao trevo da Eny. Segundo o engenheiro Gianpaulo Novelli, as interdições em ruas marginais preexistentes já começaram, mas, na rodovia, só terão início a partir do ano que vem.

“Haverá o fechamento parcial, em apenas uma faixa de rolamento, quando forem feitas as interligações entre a pista marginal e expressa. Mas, primeiro, vamos construir toda a marginal para, depois, fazer as agulhas (ramais) de acesso ou saída da rodovia”, adianta.
Ao todo, serão três entradas para a Rondon e quatro saídas para a pista marginal em cada um dos sentidos. “Para o usuário, será uma mudança grande”, completa Novelli. 

Cada marginal terá duas faixas de rolamento, totalizando 182.844 metros quadrados de obras. O projeto também contempla a instalação de novos viadutos e adaptação de acessos e retornos já existentes. Está prevista, ainda, a implantação de passeio para pedestres com dois metros de largura, além de reforço na sinalização e melhoria da drenagem em todo o sistema que sofrerá intervenções.

Desapropriações

 O município concedeu 72% das áreas declaradas de utilidade pública para viabilizar a obra e os outros 28% serão desapropriados pela ViaRondon, ao custo estimado de aproximadamente R$ 7 milhões, de acordo com Gianpaulo Novelli. “Este processo ainda está em trâmite. Os proprietários destas áreas já foram comunicados. Se não houver acordo financeiro com um ou alguns deles, é a Justiça quem arbitra o valor a ser pago”, pontua.

 

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