Economia & Negócios

Dólar sobe com queda do petróleo e cautela sobre quadro fiscal do País

Por Silvana Rocha, Paula Dias e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 7 min

O mercado de câmbio operou com giro pequeno e um viés de alta na maior parte da sessão desta segunda-feira (25). A demanda pela divisa americana foi estimulada pelo forte recuo do petróleo, a queda de moedas emergentes e preocupações com o quadro fiscal do País, segundo operadores de câmbio.

No fechamento, o dólar à vista estava em alta de 0,91%, aos R$ 3,2885. O giro total movimentado somou cerca de US$ 488,6 milhões. Na sessão, a mínima foi de R$ 3,2554 (-0,10%) e a máxima, de R$ 3,2958 (+1,14%). No mercado futuro, às 17h27, o dólar para agosto subia 0,87%, aos R$ 3,2925. Na mínima, caiu a R$ 3,2615 (-0,08%) e, na máxima, subiu a R$ 3,3025 (+1,18%).

A fraca agenda diária também deixou os investidores em compasso de espera por eventos importantes da semana. Internamente, estão no radar a divulgação da ata da reunião do Copom da semana passada, amanhã, os dados fiscais do setor público consolidado (dia 29) e de arrecadação federal, ainda sem data marcada. Entre balanços, Vale, Natura, Santander, Bradesco divulgam seus resultados do segundo trimestre nesta semana. Lá fora, os destaques são os encontros de política monetária do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira e do Banco do Japão (BoJ) na quinta e sexta, e ainda o PIB dos Estados Unidos, na sexta-feira, além de balanços da Apple, Facebook, Caterpillar, McDonald's, entre outros.

O economista Ignácio Crespo Rey, da Guide Investimentos, disse que os mercados operaram hoje com volumes fracos internamente e em Nova York. Há muita expectativa pela reunião do Fed na quarta e do BoJ na sexta-feira, disse ele. Sua percepção é de que os investidores trabalham com a possibilidade de alta de juro até o final do ano nos Estados Unidos. Por lá, alguns bancos não descartam que o Fed vai deixar as portas abertas para uma elevação em setembro, embora as previsões são de uma elevação no mínimo a partir de dezembro.

Em relação ao ambiente fiscal, Crespo Rey acredita que, com a definição sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff em agosto, o governo interino vai começar a discutir de forma mais intensa as reformas e a necessidade do ajuste fiscal. "Tirando o impeachment da frente, o tom poderá ficar mais duro e a entrevista hoje do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai nesse sentido", comentou.

Em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fijran), Meirelles, afirmou que as "despesas vinculadas tornam o ajuste fiscal quase impossível". Além desse impasse, os agentes econômicos observam a possibilidade de Meirelles vir a anunciar um aumento de tributos. Ele avisou aos parlamentares hoje que, caso não seja aprovada a criação de um teto para gastos públicos, o País terá alta de impostos e juros elevados por longo tempo.

O operador José Carlos Amado, da Spinelli Corretora, disse que essas declarações causaram desconforto e, em um ambiente de giro baixo, favoreceram o viés de alta.

Antevendo a possibilidade de aumento de tributos, uma fonte ouvida pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, disse que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já se movimenta dentro e fora do governo para impedir a elevação da Cide que incide sobre os combustíveis. Segundo a fonte, a preocupação de Ilan é de que, dependendo da alíquota da Cide, a contaminação para o IPCA poderá ser maior do que o estimado pelo mercado. Além disso, como boa parte das despesas do governo é corrigida pela inflação, o impacto negativo do aumento dessa contribuição nas contas públicas poderá custar mais do que a arrecadação com a elevação do tributo.

No exterior, os preços do petróleo aprofundaram as perdas durante a tarde, quando atingiram as mínimas em três meses. O recuo abaixo de US$ 45 por barril em Londres decorreu das preocupações com o excesso de oferta da commodity, sobretudo de derivados. No fechamento, o petróleo tipo Brent para setembro caiu 2,23%, aos US$ 44,67 por barril, em Londres. Em Nova York, o WTI para o mesmo mês recuava 2,56%, aos US$ 43,06 por barril.

Bovespa - A bolsa começou a semana com uma leve realização de lucros, favorecida pelo desempenho negativo das bolsas americanas. O Índice Bovespa fechou em baixa de 0,23%, aos 56 872,72 pontos nesta segunda-feira. Os investidores optaram por manter um tom cauteloso, com baixo volume de negócios, em meio à expectativa pela reunião do Fed e pelos resultados trimestrais das empresas brasileiras. Foram negociados R$ 5,64 bilhões, abaixo da média diária de julho, de R$ 6,77 bilhões.

A principal diferença entre o mercado doméstico e o de Nova York foi a reação às fortes quedas dos preços do petróleo no mercado internacional. Enquanto a queda da commodity influenciou negativamente as bolsas em Wall Street, por aqui os efeitos foram limitados, uma vez que as ações da Petrobras subiram. Segundo operadores, o apetite pelas ações da estatal é mantido pela melhora das perspectivas para a empresa a partir da nova gestão. Ao final dos negócios, Petrobras ON e PN avançaram 0,07% e 0,75%, respectivamente.

No front internacional, as atenções se voltam principalmente à reunião do comitê de política monetária do Fed, que termina na quarta-feira. Na sexta-feira é a vez de o Banco do Japão (BoJ) se reunir e, talvez, confirmar expectativas de adoção de medidas de incentivo à economia local.

Nesse contexto de expectativa, a agenda de balanços se torna ainda mais importante. No pregão desta segunda-feira, o mercado reagiu aos resultados de Hypermarcas, divulgado no final da tarde de sexta-feira, e de Fibria, tornado público hoje pela manhã. Hypermarcas ON fechou em alta de 1,36%, após ter reportado alta de 59% no lucro líquido do segundo trimestre, que atingiu R$ 176,4 milhões. Já Fibria ON chegou a cair expressivamente pela manhã, após o lucro de R$ 745 milhões no mesmo período, abaixo do esperado pelo mercado. O papel acabou por se recuperar à tarde e fechou em alta de 1,16%.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar alta de 10,38% em julho e de 31,20% em 2016. Na última quinta-feira, 21, houve ingresso externo de R$ 180,9 milhões na Bovespa, levando o acumulado de julho a um saldo positivo de R$ 4,581 bilhões. No ano, há ingresso de R$ 17,223 bilhões em recursos externos.

Taxas de juros - Os juros futuros de curto e médio prazos terminaram a sessão regular desta segunda-feira, perto dos ajustes anteriores e os longos tiveram alta moderada. A pressão refletiu as preocupações com o cenário fiscal e também o cenário externo mais cauteloso.

Ao término da etapa regular, o giro de contratos era fraco. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 terminou com taxa de 13,940%, ante 13,945% no ajuste de sexta-feira, com 85.220 contratos. O DI janeiro de 2018 (65.835 contratos) fechou na mínima de 12,82%, ante 12,84% no último ajuste. O DI janeiro de 2021 (69.425 contratos) subiu de 12,07% para 12,11%.

Após a frustração com o fato de que o governo não adotará um contingenciamento do Orçamento para garantir que o resultado fiscal não estoure a meta de R$ 170,5 bilhões, o mercado recebeu com preocupação, logo na abertura, as declarações do ministro da Fazenda. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Meirelles disse que, caso não seja aprovada a criação de um teto para gastos públicos, o País terá alta de impostos e juros elevados por longo tempo. No exterior, o destaque é o recuo dos preços do petróleo que penaliza as bolsas e pressiona o dólar para cima, atribuída aos temores de excesso de oferta. É nesse clima que se dá a espera pela decisão do Fed, na quarta-feira.

As taxas curtas oscilaram ao redor da estabilidade, em linha com a aposta de que a Selic não deve cair nos próximos meses, com riscos até mesmo de que o processo de afrouxamento comece só no ano que vem, mesmo com boas notícias da pesquisa Focus. O que poderá confirmar, ou não, tal ideia é a ata do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser divulgada amanhã.

Segundo o Boletim Focus, a mediana das estimativas para o IPCA de 2017 oscilou de 5,30% para 5,29%, e a mediana das projeções para a inflação em 2016 caiu de 7,26% para 7,21%.

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