| Muto/Divulgação |
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| Pedro Pelotas, Rodolfo Krieger, Marcelo Gross, Gabriel Boizinho e Beto Bruno |
Apaixonados por discos, os músicos da banda gaúcha Cachorro Grande terminam essa semana a turnê de “Costa do Marfim”, lançado em 2014, e começam na próxima a divulgação do novo álbum, Electromod.
É justamente nesse “meio tempo” que o grupo volta a Bauru e toca na sexta, 29-7, no Jack Music Pub. A abertura, a partir das 23h, será com as bandas bauruenses Overhead e Fórmula do Rock C2TE.
Em 17 anos de carreira, o grupo formado por Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Gabriel Azambuja (bateria), Pedro Pelotas (teclados) e Rodolfo Krieger (baixo) tem nove álbuns.
“Se você mantém uma banda na estrada tem que lançar disco, mostrar material novo... Esse é o nosso lance, o que a gente ama fazer”, comenta Beto durante o bate-papo com a reportagem do Jornal Cidade.
JC – Como será o show?
Beto – “Vamos tocar em Bauru em uma situação curiosa, pois termina uma turnê e começa outra, lançando o novo disco na próxima semana em São Paulo. Tocamos músicas antigas e novas. As pessoas trabalham a semana toda e nessa hora querem ouvir rock e se divertir; a gente quer se divertir com elas”.
JC – Que balanço faz da turnê de ‘Costa do Marfim’?
Beto – “Talvez tenha sido o nosso disco mais bem recebido pela crítica e pelos fãs. Alcançamos o maior número de cidades em dois anos e dois meses. Levamos novidades e foi um bom desafio, porque assim a gente não para no tempo, cresce e evolui como músico”.
JC – O que pode antecipar sobre “Electromod”?
Beto – “Algumas músicas já saíram, postamos ‘Tarântula’ e dá para sentir um pouco. Esse disco é mais pesado, ‘sujo’ e ao mesmo tempo coeso. Tem sons eletrônicos também. Eu não consigo para de ouvir!”.
JC – Hoje significado de lançar disco é outro?
Beto – “É bem diferente, sim. Todos nós da banda somos fãs e colecionadores de discos e hoje mudou, nem tanto pelas mídias digitais, elas são válidas, mas a música tem que chegar com qualidade. O que me preocupa é o jeito como escutam. A gente tem um cuidado especial para gravar e a meninada ouve no computador. Vamos lançar em CD, vinil e k7 porque a gente gosta e não se contentaria em lançar só na internet. A gente tem uma discografia, o que é raro do ano 2000 pra cá, e enquanto a banda existir vamos continuar lançando disco”.
JC – A banda é dita não-comercial: o que isso representa na trajetória de vocês?
Beto – “Comercial é aquilo colocado em excesso para as pessoas comprarem. Quando a gente faz uma música, geralmente com um violãozinho em casa, não pensa: ‘vou fazer para emplacar, encaixar em padrões...’. Isso limita a criatividade e te afasta do artista verdadeiro que tu é. Cada banda lida de uma maneira e a nossa é a mais natural possível. A gente faz o que acredita, para ser verdadeiro com o público. Há uma minoria que comenta que a gente mudou, mas tem que mudar, sem deixar de ter nossa marca. Tem várias coisas que a gente gosta, vai aprendendo a fazer e inclui. Seria muito cômodo fazer o de sempre”.
JC – O rock não está no topo do mercado musical no Brasil: isso afeta o gênero?
Beto – “Afeta sim, mas não impede a gente de fazer e conquistar o nosso público. Já vimos tantas idas e vindas de ritmos e o rock está sempre aí, é a música mais universal que existe. Nunca vai deixar de existir. A gente não pode ficar reclamando, tem que tentar fazer um disco melhor que o outro, um show melhor que o outro, sem depender do que está na mídia”.
JC – O rock já foi uma voz imponente no contexto social e político: e hoje?
Beto – “A gente tem muito cuidado para falar sobre essas coisas, porque nosso País passa por uma fase adversa. As pessoas estão divididas. Só que a gente não pode deixar de dizer o que pensa. Não nos colocamos de nenhum lado. Nossa luta continua pela liberdade de expressão, não só do artista, mas de todas as pessoas”.
JC – E a banda Cachorro Grande, o que quer dizer?
Beto – “As letras vêm de ‘supetão’. Falamos sobre coisas diferentes, mas sempre sobre o que a gente vive. Não é nada utópico nem tão filosófico. O importante é que seja você falando. Existem muito poetas no rock, mas nós definitivamente não somos! Temos que ter essa humildade. Somos apaixonados, só...”.
JC – Vocês tem a websérie ‘Lunático TV’: como é isso exatamente?
Beto – “De uns anos para cá a gente tem se interessado mais por isso e cada um da banda cuida de uma mídia. O Pedro, nosso pianista, é o editor dessa websérie e é um modo de conversar com o público. Sou fã de muitas bandas e gostaria de ver o dia a dia dos Rolling Stones, por exemplo. Teve uma boa receptividade e, no final, vai ser um documentário eterno da banda. É muito legal fazer isso. Como a gente tem o olhar do fã, tenta lidar com as pessoas que realmente gostam da Cachorro Grande da melhor forma possível, abrir as portas da banda e botar o fã dentro dela”.
Serviço
Show com a banda Cachorro Grande: sexta, 29/07, às 23h, no Jack Music Pub (av. Duque de Caxias, 8-56). Ingressos promocionais limitados a partir de R$ 20,00. Informações (14) 3245-3254.
