Bairros

Colisão entre moto e cavalo em Bauru mata jovem de 20 anos

Tisa Moraes e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Inconsciente, Roger foi atendido no local por uma equipe do Samu, mas não resistiu e morreu

Cerca de 500 metros de pavimentação em declive acentuado, sem dispor de iluminação pública ou equipamento redutor de velocidade e com fluxo de intenso de animais na pista. A combinação perigosa que caracteriza a avenida José Vitório Dota resultou, ontem, em mais um acidente que tirou a vida de um morador de Bauru.

Roger Patrick Rivera da Luz, 20 anos, morreu na noite de ontem ao atingir um cavalo que cruzou a pista. Possivelmente, devido à ausência de iluminação no local, ele não teve tempo hábil para frear ou desviar do animal. Inconformados, familiares, comerciantes e moradores que utilizam o acesso todos os dias reclamavam de descaso por parte da administração municipal.

O acidente foi registrado por volta das 20h, na avenida que interliga o Jardim Flórida ao Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e transpõe o Córrego Barreirinho. Morador do Bauru 2000, Roger estava em uma motocicleta Honda Biz e seguia em direção ao Parque Vista Alegre, onde, segundo familiares, visitaria parentes.

No trecho de declive, ele atingiu o cavalo, que também morreu no local. Devido ao forte impacto, a moto em que o jovem estava parou a cerca de 15 metros de distância do ponto de colisão.

Inconsciente, Roger foi atendido no local por uma equipe do Samu, mas não resistiu à extensão dos ferimentos. Recém-casado, ele deixa um filho de apenas cinco meses de vida.
Momentos após o acidente, familiares que chegavam à avenida entravam em desespero. Junto à dor, somavam um sentimento de revolta diante da falta de estrutura da via, que foi inaugurada em abril de 2015.

“Todo santo dia há animais invadindo a pista e ninguém faz nada. Não tem fiscalização e resta aos moradores ficar desviando. À noite, a situação só piora. Não há nada que justifique deixar uma avenida dessa sem qualquer tipo de iluminação”, reclama Nilton Rodrigues, 44 anos, tio da vítima.

‘Risco enorme’

Segundo ele, que também é morador do Bauru 2000 e utiliza a avenida para deslocamento diariamente, devido à falta de calçadas em ambos os sentidos, muitos pedestres acabam dividindo o asfalto com os carros, sob risco de serem atropelados. “De noite, ninguém enxerga nada. Não dá para andar no meio da terra, do mato, de buraco. Eles usam lanterna, luz do celular. É vergonhoso”, lamenta.

Cerca de uma dezena de moradores e comerciantes das imediações relataram os mesmos problemas à reportagem, como Edvaldo Batista dos Santos, 31 anos, que reside no Jardim Silvestri. “Tem carro que desce a mais de 100 por hora. É um risco enorme. Precisava de um radar e, principalmente, de iluminação. Se não fosse essa escuridão toda, o rapaz não teria morrido”, avalia. 

Outro caso

O primeiro acidente fatal na avenida José Vitório Dota foi registrado em junho de 2015, apenas dois meses depois de a via ser inaugurada. Na noite do dia 19 daquele mês, André Marques dos Santos, 24 anos, morreu ao tentar fazer uma curva existente no local, após perder o controle da moto Bandit Suzuki que conduzia. À época, o JC publicou matéria para alertar sobre os riscos que cercavam a avenida. 

Prefeito termina mandato sem mudança na lei

Em julho de 2014, o JC noticiou a fragilidade da lei municipal sobre o recolhimento de animais, pois o proprietário precisa apenas pagar a multa e o valor da estadia para retirar o cavalo ou o bovino do CCZ. Na época, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) defendia a retirada permanente do animal, porém, mesmo depois de todo esse tempo, a legislação não foi alterada. “É uma medida radical, mas seria a solução mais adequada neste caso. Entretanto, é um tipo de lei que sofre muita resistência para passar na Câmara Municipal”, comentou, novamente, ontem.

Rodrigo acredita que o problema pode diminuir com a vigência completa da lei que proíbe as carroças na área urbana, aprovada em maio deste ano na Câmara. O texto passa a valer em novembro para o Centro e a zona sul e, no início de 2017, para o restante da área urbana.

Quanto à criação de animais de grande porte na zona urbana, proibidos desde a década de 1990 por lei municipal, o chefe do Executivo é direto. “Criação de animais como cavalos, bois, galinhas e porcos é proibida no perímetro urbano, até pelo risco de doenças. Mas, muitas vezes, animais de áreas rurais próximas à cidade escapam e acabam indo para as rodovias e para a periferia da cidade”, completa.

Poder público promete iluminação em 45 dias

O secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, afirmou que espera entregar a iluminação da ligação do Bauru 2000 ao Jardim Flórida em cerca de 45 dias – meados de setembro, portanto. “Tivemos uma reunião com a CPFL e eles não vão fazer esse serviço, mas, caso a prefeitura instale a iluminação, eles fariam a manutenção. Estamos finalizando uma ata de registro de preço para comprar os materiais, e a ideia é fazer a instalação com equipe própria da Secretaria de Obras, pois contratar uma empresa seria inviável”, ponderou, ontem à noite.

A intenção do secretário é fazer o mesmo, em igual prazo, na nova ligação das avenidas Castelo Branco e Comendador Martha, no Granja Cecília.

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