Política

Prefeitáveis "patinam" no 1º Fórum Político do Interior

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Renato Purini, Maria Flor Di Piero, Henrique Almirates, Raul Gonçalves Paula, Clodoaldo Gazzetta e Carlos D’Incao, no Teatro Municipal, quarta-feira à noite 

Os seis pré-candidatos até agora colocados na corrida pela sucessão de Rodrigo Agostinho no Palácio das Cerejeiras tiveram, na última quarta-feira, a oportunidade de, pela primeira vez  reunidos, apresentar suas ideias para o futuro da cidade, no 1º Fórum Político do Interior, que teve apoio do JC. Longe de confrontos diretos, os prefeitáveis expuseram propostas abrangentes, sem, minimamente, apontarem como viabilizá-las.

Já no primeiro painel do evento, Carlos D’Incao (PT), Clodoaldo Gazzetta (PSD), Henrique Almirates (PRB), Maria Flor Di Piero (PSOL), Raul Gonçalves Paula (PV) e Renato Purini (PMDB) foram convidados a falar sobre educação, segurança, infraestrutura, meio ambiente, saúde e política, respectivamente, sob a perspectiva do desafio de governar o município frente ao difícil cenário atual.

Apesar do eixo proposto para a discussão municipal ser o desenvolvimento, os pré-candidatos deixaram a desejar nas respostas às principais demandas da cidade e da população mais pobre. A favor deles apenas o fato de a campanha mal ter começado.

Dentre os temas candentes, a queda nas receitas do município em decorrência da crise, o alto comprometimento das finanças com folha de pagamento, gargalos no regime previdenciário do funcionalismo, a baixa capacidade de investimentos, além de velhos esqueletos, como o da Cohab, entre outros.

Política

Purini foi o primeiro a falar e disse que o próximo prefeito precisa ter experiência em gestão, amplo apoio político e saber dialogar com o Poder Legislativo. O peemedebista também reclamou do “tamanho do Estado”, defendendo as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Educação

Na sequência, D’Incao alegou que os professores ganham mal e defendeu a adoção de uma nova linha pedagógica para a rede municipal de ensino. Segundo ele, as utilizadas atualmente encaram com naturalidade o fato de crianças e adolescentes não saberem ler e escrever.

Meio Ambiente

Maria Flor criticou o possível sucateamento do DAE com o objetivo de privatizá-lo e condenou a utilização de aterros sanitários para a destinação de resíduos domésticos da cidade. A pré-candidata defendeu que o lixo não reaproveitável ou reciclável seja queimado para gerar energia para a iluminação pública.

Segurança

Gazzetta propôs a criação de uma Secretaria de Segurança Pública e o fortalecimento de parcerias entre o município e o governo do Estado para, por exemplo, viabilizar o videomonitoramento em vias públicas estratégicas da cidade e ampliar a atividade delegada, na qual policiais militares trabalham pela prefeitura em seus horários de folga.

Infraestrutura

Ao falar sobre infraestrutura, Almirates citou a vocação logística de Bauru e a necessidade de o município assumir o papel de liderança regional com o intuito de atrair investimentos. O pré-candidato relatou ainda sua experiência na coordenação do projeto Cidades Inteligentes.

Saúde

Encerrando o primeiro painel, Raul apontou déficit de 250 leitos hospitalares na cidade  e defendeu que o município assuma a gestão do Hospital de Base, desde que receba do Estado os recursos hoje repassados à Famesp. Ele também defendeu a construção de um complexo com mais leitos anexo à unidade.

Desenvolvimento e emprego em pauta

Diante do cenário de retração da economia e do mercado de trabalho, o desenvolvimento de Bauru foi um dos temas mais recorrentes do Fórum Político do Interior, muito também em função dos eixos de discussão propostos pela organização. Praticamente consensual foi a ideia de que hoje a cidade não apresenta condições para atrair novos investimentos e gerar empregos.

Carlos D’Incao (PT) apontou a burocracia como principal entrave para o desenvolvimento e defendeu a elaboração de regras claras para empreendedores, até mesmo como forma de “fechar portas” para a corrupção e propinas em troca de favorecimentos.

Clodoaldo Gazzetta (PSD) prometeu “destravar” a cidade nos primeiros 100 dias caso seja eleito prefeito, atualizando a legislação e regulamentando procedimentos de aprovação. Segundo ele, o desemprego é apontado por bauruenses como o segundo maior problema de Bauru.

Maria Flor Di Piero (PSOL) enfatizou a necessidade de garantir que as empresas que venham a se instalar tornem-se responsáveis pela cidade, especialmente no que se refere à mitigação de impactos causados por suas atividades. Ela defendeu que plebiscitos definam sobre a possibilidade ou não de instalação de empreendimentos dessa natureza.

Raul Gonçalves Paula (PV) falou sobre a necessidade de flexibilizar a ocupação das Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que abrangem dois terços do território do município. Segundo ele, a prefeitura está sendo condenada a pagar indenizações milionárias a proprietários impossibilitados de utilizar suas propriedades nessas regiões.

Renato Purini (PMDB) destacou o incentivo aos Microempresários Individuais (MEIs) em sua gestão à frente da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e falou sobre o projeto recém-lançado de criação do Eco Distrito Industrial.

Nos painéis que discutiram a ativação da economia, a geração de empregos e a atração de investimentos, Henrique Almirates (PRB) respondeu questões do público do Fórum sobre o transporte coletivo, quando criticou o alto valor das tarifas praticadas, sobre os altos gastos da administração municipal com a locação de imóveis enquanto mantém estruturas próprias abandonadas.

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