Um morador de 22 anos foi preso em flagrante na noite desta quinta-feira (28), em Jaú (47 quilômetros de Bauru), após espancar violentamente o filho, de 1 ano e 11 meses.
O menino, que levou chutes e socos e chegou a ser sufocado com uma toalha, sofreu duas paradas respiratórias e está internado em estado gravíssimo na Santa Casa de Jaú. O caso brutal é registrado uma semana após um jovem de 23 anos agredir até a morte o filho de 4 anos, em Reginópolis. Nesta sexta-feira (29), ele confessou o crime à Polícia Civil.
As agressões ocorreram em uma residência na rua José Pires de Campos Sobrinho, no Jardim Pires de Campos. Segundo registro policial, Luiz Miguel Dionísio da Silva foi socorrido pelo avô paterno inconsciente e levado ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa, onde os médicos constataram que as lesões que ele apresentava eram decorrentes de espancamento.
A Polícia Militar foi acionada e, ao questionar a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, ela confessou que o autor das agressões havia sido o companheiro dela, o pedreiro Talvanes dos Santos da Silva, que é pai de Luiz Miguel.
O jovem, que também estava no PS, alegou que o menino havia sido agredido por um vizinho, mas foi preso em flagrante.
Detalhes
Na Central de Polícia Judiciária (CPJ), a mãe de Luiz Miguel contou com detalhes como tudo ocorreu.
Segundo ela, sem qualquer motivo, Talvanes passou a desferir chutes e socos contra o filho, além de arremessá-lo diversas vezes contra a cama. Ainda de acordo com a versão da adolescente, o acusado enfiou os dedos nos olhos e na garganta do menino.
Violência
Uma toalha também teria sido colocada contra o rosto da criança com o objetivo de sufocá-la. A mãe alega que, após as agressões, Luiz Miguel “ficou com o corpo mole” e que “não conseguia parar em pé”. Na sequência, ele teria parado de respirar e passado a contorcer o corpo.
Nesse momento, o pai de Talvanes chegou ao local e socorreu o neto.
A adolescente declarou que também foi agredida pelo companheiro e ameaçada de morte com uma faca. Ela ficou sob os cuidados do Conselho Tutelar.
O pedreiro foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio, lesão corporal, ameaça e violência doméstica e encaminhado à Cadeia Pública de Barra Bonita, onde permanece à disposição da Justiça.
Edema cerebral
A reportagem apurou que, após as agressões, Luiz Miguel sofreu duas paradas respiratórias e foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Infantil da Santa Casa, onde permaneceu entubado, em coma induzido. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, no fim da tarde desta sexta-feira (29), depois que exames constataram um grave edema cerebral, o menino foi submetido à procedimento cirúrgico. A unidade de saúde confirma que o estado dele era gravíssimo e que ele corre risco de morte.
‘Vejo ele como monstro’, diz avó
Ainda chocada, Miriam Dionísio, 48 anos, avó materna de Luiz Miguel, afirma que Talvanes começou a aterrorizar a família após ter saído da prisão, em fevereiro deste ano. “Eu vejo ele como um monstro. Desde que saiu [da prisão], ficou assim. Um horror o que ele fez”.
A mulher, moradora de Bauru, conta que os relatos de sua filha sobre agressão sofrida pelo garoto têm contornos de grande crueldade. “Minha filha contou que ele cutucava a barriga do menino com faca. Falou que apertava os testículos com força. Diz que ele bateu muito mesmo. É triste”. Miriam, inclusive, afirma já ter registrado um boletim de ocorrência (BO) contra Talvanes neste ano. “Quando ele saiu da cadeia, minha filha e meu neto moravam comigo na favela. Ele foi lá e tirou eles à força e, por isso, eu denunciei. Ela tentou fugir dele duas vezes, mas ele sempre ia atrás”, finaliza.