Articulistas

Loyola, 80

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

E em meio a tanta dúvida, desalento e desgraceira desse mundão sem porteira, eis que Ignácio de Loyola Brandão chega hoje aos 80 anos - não por acaso, Dia de Santo Ignácio de Loyola.

O hábil escritor, filho de Araraquara, foi um interessado pelas letras desde cedo, quando o tempo parecia eterno. Tanto que trocava figurinhas e brinquedos por dicionários - onde eternidade também significa tempo amplo.

Daí que o garoto fascinado por palavras que nunca se acabam virou contista, jornalista, conferencista. De Poços de Caldas a NY, de Berlim a Bauru, deixou a marca de suas ideias e boas tiradas durante visitas e concorridas palestras.

Ele, que acaba de receber o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, soma (por enquanto) 42 livros e (viva!) anuncia ter “uns mil projetos” a executar. Em ânimo continua criança, tirando de letra.

Só não gosta desse papo antigo de ser apontado como “idoso”. “Sou velho. Por que preconceito com a velhice?”, indagou em Poços de Caldas durante festival literário há três meses.

Um velho “novidadeiro”, então. Sempre “embriagando seus leitores e surpreendendo” com sua “coragem-lucidez”, na definição do professor e teórico da educação Silas Correa Leite.

Em tempos de curtidas remotas e de palavras diminuídas, bom também beber de literatura atemporal, merecedora de eternidade. Pois, bem: Loyola Brandão quer mais é viver e escrever sem prazos de validade. E quando o inevitável, num dia do futuro, acontecer, já avisou sobre o escrito de sua lápide: “Estou aqui contra a minha vontade!”.

Ao autor de “Zero”, um de seus romances setentistas, que seja hoje um aniversário nota 10: bom o bastante para virar eterno na lembrança, como nos tempos de criança.

 

O autor é editor executivo do JC

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