Para o empresário começar um novo negócio é sempre um desafio. Saber contabilizar despesas, lucros, investimentos, pequeno quadro de colaboradores, carteira de clientes e qualidade do produto pode ser muito mais difícil quando quem está à frente da empresa é um empreendedor iniciante.
Dados da pesquisa Demografia de Empresas, organizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no final de 2015 revela, por exemplo, que das 694 mil empresas que nasceram em 2009 apenas 47,5% ainda estavam em funcionamento em 2013.
Cerca de 158 mil fecharam as portas no primeiro ano de atuação no segmento. Uma das maneiras que contribuem para a mitigação da mortalidade empresarial é o processo de incubação da empresa.
Há 15 anos, a Adetec trabalha em Lins com a capacitação de empreendedores. “A formação empresarial pela qual o empreendedor é submetido durante o processo de incubação da empresa torna o negócio mais consolidado. O empreendedor mais maduro para enfrentar o mercado faz toda a diferença em um cenário competitivo e de dificuldade econômica como estamos vivendo no momento”, explica o gerente de incubadora da Adetec, Flávio Anequini.
Geralmente instaladas em boxes nas dependências do órgão apoiador, as empresas permanecem em fase de maturação por um prazo determinado.
Durante todo o tempo, já em funcionamento, a empresa recebe acompanhamento de profissionais especializados em gestão.
Esses gestores monitoram toda a cadeia de produção para fixação de metas e consolidação de resultados.
“Dentro de uma incubadora a empresa opera como outra qualquer, com seus desafios diários. A grande diferença é que há uma ampla estrutura física e de conhecimento agregados que auxiliam os empresários a tomar decisões. Não há dúvidas de que os problemas são minimizados”, explica Anequini.
Enquanto incubadas, recebem treinamento e assessoramento permanente nas áreas de marketing, inovação, finanças e gestão de pessoas, além de contar com salas de reunião, auditório, internet e apoio administrativo. No entanto, o mais importante é a construção de uma rede ampla de contatos.
“Temos o compromisso de fortalecer o empresário para, efetivamente, atuar no mercado com solidez. Na incubadora, as experiências adquiridas e compartilhadas entre empresas que estão no mesmo patamar de aprendizado e outras que já passaram por aqui – além de vários parceiros estratégicos – são fundamentais para a consolidação do negócio”, reforça Anequini.
Para ele, o maior ganho dos empresários neste sistema é ter acesso a um network que dificilmente teriam na solidão de uma empresa tradicional.
Não é fácil, mas é doce: brigadeiros
Todos os benefícios do processo de incubação dificilmente seriam obtidos pela empresária Estela Domingues, que resolveu lançar mão da profissão de engenheira para entrar no ramo da gastronomia. Ela confecciona brigadeiros, bolos, macarrons e bombons refinados. Desde agosto de 2014, sua empresa está alojada em um dos boxes da Adetec.
“A incubadora é essencial para o crescimento correto e ordenado da empresa, que começou tímida dentro da minha casa”, diz a empreendedora. No início da atividade na Adetec, Estela aprendeu com os erros e pôde capacitar-se mais com o passar do tempo. Nesta fase do aprendizado, se deu conta que não bastava somente fazer bons doces, era preciso administrar bem a empresa que tinha nas mãos e todas as outras responsabilidades que o cargo de proprietária exige.
Tomar decisões ainda é um assunto desafiador. “O maior desafio é o lado empresarial, a administração do negócio como um todo. Depois de desenvolver seu produto, é preciso fazer a empresa girar. Negócios chegam ao sucesso hoje, fundamentalmente pela boa administração. Desde o início, até hoje, nossa maior dificuldade são as tomadas de decisões”.
Foi dentro dos boxes da incubadora de Lins que Marcos Astur e Jefferson Costa deram vida a um embrião de uma empresa, especializada na confecção de quimonos esportivos.
Há 10 anos no mercado - sendo dois dentro da incubadora -, a marca vende para todo o Brasil e emprega cerca de 15 profissionais. Com a ajuda da Adetec/Lins, o negócio começou com um estudo de mercado e viabilidade do produto.
“Quando iniciamos a empresa dentro do boxe, eu e o Marcos já tínhamos experiência como empresários, mas não em gestão. O trabalho de consultoria que encontramos na incubadora foi fundamental para aprimorar nossas habilidades”, diz Jefferson.
Incubadora de Lençóis terá novo prédio com 600 metros quadrados
Lençóis Paulista está terminando a construção de prédio onde vai funcionar nova incubadora de empresa. Anteriormente, a incubadora funcionou onde hoje é o Centro do Empreendedor.
O novo prédio está instalado no Distrito Empresarial. Deve começar suas atividades em agosto.
Na essência, segundo o diretor municipal de desenvolvimento, Altair Aparecido Toniolo, a incubadora funciona assim: o município cede o espaço e oferece aos incubados capacitação técnica e gerencial para que ele comece de forma organizada seu negócio e diminua os índices de mortalidade.
“Nossa incubadora tem uma área administrativa, comum, onde todos usam, escritório, banheiros, alojamento. O galpão tem 600 metros quadrados que será dividido dependendo do tamanho da empresa. Estamos definindo isso. A vocação de qual o tipo de empresa que vai para lá, porque não cabe todo mundo. Pode ser de 6 a 10 empresas nesse primeiro módulo que construímos.”
Evolução prevista
Após o início da operação, o município pretende construir mais um ou dois módulos com a mesma medida. “Estamos no meio do processo do edital público. O interessado apresenta seu plano de negócios. O plano será analisado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico. Se aprovado, entra ao programa. Em Lençóis há diversificação de atividades econômicas.
“Tem celulose, cana-de- açúcar, reciclagem de óleo, alimentos, metalurgia. Em função disso surgem empresas de vários ramos. Os que mais aparecem são os prestadores de serviço do setor de mecânica”.
O período de incubação será de um ano com possibilidade de chegar a dois. “As despesas comuns são rateadas, como água e energia. O resto a prefeitura e parceiros bancam. Empreendedor recebe gratuitamente uma parceria com o Sebrae para capacitação técnica e gerencial. Implantamos série de programas de apoio”.
O posto do Sebrae garante cursos, palestras e consultorias. “O Negócio Rápido é um programa que orienta o empreendedor na abertura da empresa, tudo informatizado. Ele não precisa ficar passando de setor por setor, faz tudo pela internet”. Isso sem contar o Banco do Povo.
Já a Escola de Negócios oferece cursos. “Ensina a pessoa fazer uma atividade. Tem costura, confeitaria, costura industrial, costura de lingerie e artesanato. Além da parte técnica damos aula de empreendedorismo, planejamento, marketing, enfim ,ensinamos a pessoa a montar o negócio.
Criamos dinâmica de apoio. Nos últimos 15 anos Lençóis triplicou o número de cadastros. Até 2000 tinha 2000 empresas cadastradas. Em 2016 temos 6.500, abertas em atividade.”