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Polícia civil liberta sogra de chefe da fórmula 1 e prende 2 sequestradores

Por Alexandre Hisayasu, Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Marcelo Godoy | AE
| Tempo de leitura: 4 min

Os homens da Divisão Antissequestro (DAS) da Polícia Civil libertaram neste domingo (31) Aparecida Schunk Flosi Palmeira, de 67 anos, sogra do chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, de 85. Ela havia sido apanhada pelos bandidos no dia 22 de julho, na zona sul de São Paulo. Dois sequestradores foram presos. Não houve pagamento de resgate.

Os policiais estouraram o cativeiro, que ficava em uma chácara, na Rua São Serafim, em Cotia, na Grande São Paulo. Os investigadores chegaram ao lugar depois que conseguiram identificar três suspeitos de participação no crime. Foram presos pelos policiais da DAS os acusados Vitor Oliveira Amorim e Davi Vicente Azevedo - o primeiro era procurado pela Justiça por outros crimes e o segundo já havia sido preso por roubo.

Aparecida é mãe de Fabiana Ecclestone, com quem Bernie se casou em agosto de 2012. Ela trabalhou em uma empresa responsável pelo marketing do GP Brasil de Fórmula 1, onde conheceu o empresário em 2009. Hoje, o casal vive em Londres. Aparecida era costureira e mora na zona sul, perto do Autódromo de Interlagos, onde é realizado o GP Brasil.

Os sequestradores mantinham contato com família apenas por e-mail. Os bandidos exigiam 168 milhões de euros de resgate. Parte teria de ser paga em real (R$ 5 milhões) e outra em dólares (US$ 5 milhões). Segundo a Revista Forbes, Bernie Ecclestone tem um fortuna avaliada em US$ 3,1 bilhões, cerca de R$ 10 bilhões. Caso a família concordasse em pagar o resgate, ele seria o maior já pago na história dos sequestros no Brasil.

A ação dos bandidos começou quando dois homens invadiram a casa de Aparecida, na Rua João Teizen Sobrinho, em Interlagos. Eram 13h30 do dia 22. Os bandidos tocaram o interfone e anunciaram que estavam ali para fazer a entrega de móveis que a sogra de Bernie aguardava. De fato, Aparecida esperava receber os produtos, que seriam entregues em sua casa. Por isso, ela se adiantou às duas funcionárias da casa e foi abrir o portão. Acabou dominada pelos criminosos.

Além dela, os bandidos tiveram de conter as duas empregadas domésticas da família: Maria das Graças Gomes de Matos, de 34 anos, e Gilvaneide Rosa de Oliveira, de 36 anos. Os criminosos, então, disseram que se tratava de uma sequestro e afirmaram que a ação era uma "fita dada". Ou seja, que alguém lhes havia passado informações detalhadas sobre a vítima e sobre sua rotina.

Pistas

A descrição dos bandidos foi a primeira pista da polícia. Um deles era um homem branco, que parecia ter entre 30 e 35 anos. Ele media, segundo as testemunhas, cerca de 1,75 metro de altura e estava vestindo uma calça jeans e um moletom cinza. Usava ainda um bigode ralo, era magro e tinha na mão direita um sol colorido tatuado. O outro criminoso tinha a pele parda e aparentava entre 18 e 20 anos. Ele vestia calça preta e blusa vermelha.

Segundo as empregadas contaram aos homens da DAS, os criminosos entraram na casa pela cozinha. De Maria das Graças, os bandidos levaram o telefone celular. Eles mantiveram as duas em um cômodo da casa. Os bandidos obrigaram então Aparecida a entrar no Fiesta da família e fugiram com a vítima.

O carro foi encontrado mais tarde pela polícia na Rodovia Raposo Tavares, na região do Rio Pequeno, na zona oeste. A perícia foi chamada para examinar o veículo em busca de provas contra os criminosos. A família avisou a polícia. Primeiro por meio do 102º Distrito Policial, a delegacia do bairro, que registrou o caso. Depois, foi a vez da DAS ser informada.

Desde então, o caso passou a ser investigado pela Divisão Antissequestro. À família, os sequestradores exigiram que a imprensa e a polícia fossem mantidos afastados do caso. Policiais da DAS estiveram na casa da família e tentaram obter as imagens das câmeras de segurança da casa - um sistema grava imagens internas e externas do imóvel - a família, no entanto, não dispunha da senha para entregar as imagens aos policiais.

Quando a polícia tentava obter acesso às imagens, a família recebeu a primeira mensagem dos bandidos. Por meio de um e-mail, eles fizeram o pedido de resgate. A polícia começou a rastrear o e-mail para tentar localizar os criminosos.

Prova de vida

Para a DAS, era quase certa a participação de algum conhecido da família ou ex-funcionários da vítima. Teria sido essa pessoa quem entregou aos criminosos as informações sobre a encomenda dos móveis na casa de Aparecida.

As negociações dos sequestradores com a família prosseguiram durante a semana. A família exigiu que uma prova de que Aparecida estava viva lhe fosse enviada pelos bandidos. Também informou que não tinha o dinheiro exigido pelos bandidos como resgate e pediu que o valor fosse reduzido.

Durante esse tempo, os policiais conseguiram identificar três suspeitos do crime e localizar o cativeiro. Na noite deste domingo, os homens da DAS estavam interrogando os acusados detidos, enquanto Aparecida reencontrou sua família.

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