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Orquestra Bachiana do Sesi encerra a programação dos 120 anos de Bauru

Aline Mendes e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Bruno Freitas por celular
Maestro João Carlos Martins durante a apresentação no Vitória Régia hoje

A apresentação da Orquestra Bachiana do Sesi, sob a regência do maestro João Carlos Martins, encerra, os quatro dias de festa dos 120 anos anos de Bauru. Evento no Parque Vitória Régia faz parte do Viva Bauru. 

Emocionar o público de tal forma que leve felicidade à alma e lágrimas aos olhos: é essa a função da Bachiana Filarmônica Sesi São Paulo, segundo o seu regente, o maestro João Carlos Martins. (Veja vídeo abaixo).

A orquestra interpreta obras de Bach, Mozart, Beethoven e Villa-Lobos, algumas delas com o maestro ao piano, em um exemplo tocante de superação e amor à música.

“Posso fazer mais de 150 concertos por ano, mas o concerto daquele dia é o mais importante da minha vida. Então, nesta segunda-feira, será o concerto mais importante da minha vida, podem estar certos disso! Assim, convido a todos para estarem lá”, destaca João Carlos Martins em entrevista ao Jornal da Cidade.

JC – O que significa o trabalho da Bachiana para a arte no País?

João Carlos Martins – “A Filarmônica Bachiana Sesi São Paulo é a orquestra brasileira que tem o maior trabalho de democratização da música clássica no Brasil. Essa é a razão pela qual nós vamos a parques, igrejas, teatros, mostrando que a música clássica tem que alcançar todos os segmentos da sociedade”.

JC – A música clássica ainda é considerada inacessível a uma grande parte da população?

Bruno Freitas via celular
Grande público prestigiou a apresentação

Martins – “Podem ter pessoas que acham que a música erudita é para poucos. Para nós, não. Temos a certeza de que ela está mais viva do que nunca, até mesmo no Brasil. O que precisa é coragem. Coragem para entrar na periferia e realizar um concerto, num presídio ou numa fundação, do mesmo jeito que você vai para uma Sala São Paulo. Coragem por parte dos músicos para todas as situações, mais nada. A música clássica é para a eternidade. Há compositores populares, como Tom Jobim, que também são eternos, mas a grande maioria tem vida curta”. 

JC – O que tanto é capaz de emocionar durante o espetáculo?

Martins – “Primeiro, respeitar o texto do compositor; segundo, mostrar a sua individualidade, transmitir que você tem uma opinião sobre aquela música que está tocando; terceiro, fazer chegar o compositor através da sua individualidade e respeitando o texto até o coração e a alma das pessoas que estão assistindo.

Na hora em que você consegue todos esses elementos, está cumprindo a sua missão. É por essa razão que a Bachiana Filarmônica já atingiu mais de 12 milhões de pessoas ao vivo. Não é pouco, não!”

JC – O senhor também tem uma história com a nossa cidade...

Martins – “Bauru é uma das primeiras cidades que me recebeu como pianista, quando eu tinha 16 anos. Eu tenho um profundo orgulho porque, depois da minha apresentação no Colégio São José, o pai do Adylson, Amilton e Amilson Godoy ficou motivado e resolveu levar os três para São Paulo estudar música e eles têm dignificado muito o nome do Brasil como músicos. Isso me alegra muito. Já estive na cidade com a orquestra e adoro Bauru”. 

'João', o filme

Com mais de 60 anos de carreira e considerado um dos maiores intérpretes de Bach, o maestro João Carlos Martins atingiu um patamar raramente alcançado por outros músicos brasileiros ainda no século XX.

Devido a problemas físicos, há alguns anos concentra seus talentos na regência, porém, seu amor pela música o leva ao piano em momentos muito especiais dos espetáculos com a Bachiana Filarmônica. Não por acaso seu lema é “a música venceu e sempre vencerá”.

Suas trajetória e superação inspiraram o filme “João”, com roteiro e direção de Mauro Lima e o ator Alexandre Nero no papel do maestro. Já filmado em São Paulo, Montevidéu e Nova Iorque, o longa-metragem será lançado ano que vem.

“Tudo que se refere ao piano e à regência é baseado em documentos do Brasil e de outros países. Na vida real, é 60% realidade e 40% a dramaturgia, a criatividade do diretor e roteirista”, antecipou João Carlos Martins ao Jornal da Cidade. 

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