Cultura

Da memória para as páginas de um livro


| Tempo de leitura: 2 min

Francine Esqueda
Olha aí a dona Ivone: feliz com obra de uma vida

“Eu poderia não ter feito nada com essas histórias que tenho aqui guardadas na minha memória, mas resolvi dividi-las com as pessoas. Acho que sou uma contadora de causos desde menina, e penso que não seria justo deixar de passá-las para o papel”, diz Ivone Francisco de Souza, que, aos 88 anos, lança seu livro de contos neste 3 de agosto, amanhã. 

“Eu Vi, Eu Vi, Eu Vivi” conta histórias pitorescas de pequeno lugarejo, tendo como pano de fundo uma típica vila do interior.

Entre milagres, romances proibidos e casos de amor sofridos, com figuras caricatas e peculiares, a autora trouxe para as páginas do livro a riqueza de seus personagens, para transformar o cotidiano comum desse vilarejo em palco de seus contos.

Capítulos de movimentada época misturam ficção aos registros da memória, em uma proposta despretensiosa de entretenimento leve e bem-humorado.

Ivone nasceu na cidade de São Paulo, mas veio morar no interior ainda muito jovem (Pirajuí e, desde 1972, Bauru).

Viveu no tempo em que a mulher era educada apenas para se casar, ser esposa, mãe e dona de casa. Mas ela sempre quis mais.

Sua irrequieta alma de artista brigava com o formato imposto. Mãe de seis filhos, estudou depois de casada, conseguiu concluir o magistério e nunca se conformou em deixar de lado seus talentos. Apaixonada por música, compôs e cantou. O palco só lhe foi negado por circunstâncias, não por opção, conta a autora.

Acrescenta que trouxe da infância a inspiração para o livro. “Quando eu era menina as crianças cresciam ouvindo histórias. Elas vinham do rádio ou de alguém disposto a contá-las. Como era o costume, os vizinhos se juntavam em frente das casas para um bate-papo. A criançada rodeava o contador de histórias, se esparramando pela calçada. Era nosso entretenimento nos finais de tarde.”

Para ela, “sempre é tempo para se realizar. Não devemos desistir antes de ao menos tentarmos.”

Motivada pela amiga Rosa Leda Gabrielli, presidente da Academia Bauruense de Letras, os rascunhos das histórias que ficaram esquecidas numa gaveta durante anos acabaram tomando o formato de um livro de contos.

“O incentivo da Rosa Leda foi fundamental. Acreditou em mim e decidi encarar o desafio”. A renda obtida com as vendas do livro será doada para a Vila Vicentina. 

Serviço

Lançamento: “Eu vi, Eu vi, Eu vivi” – contos Autora: Ivone Francisco de Souza
Quando: dia 3/8, amanhã
Horário: a partir das 18h
Local: Amadeus Bar
Onde: rua Monsenhor Claro, 12-72, Altos da Cidade 

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