Regional

Sem-terra ocupam fazenda em Jaú

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam nessa terça-feira (2), a Usina Lambari, de cerca de 1.000 hectares, de propriedade do Grupo Atalla, no município de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Em número aproximado de 700 pessoas, elas se instalaram na fazenda que se encontra arrendada para a Raízen. O movimento reivindica a área para reforma agrária e o pagamento de dívida trabalhista aos trabalhadores.

Segundo informações da Polícia Militar (PM), o ato foi pacífico. Na área tem a usina Central Paulista de Açúcar e Álcool de Jaú desativada há cerca de 20 anos, cujas contas bancárias foram bloqueadas pela Justiça para pagamentos de rescisões de contrato de trabalhadores demitidos.

Segundo informações de sindicatos da região, quando arrendou a fazenda do grupo Atalla para o Grupo Cosan - desde novembro de 2007-, já foram demitidos mais de 3 mil trabalhadores no  Estado de São Paulo, sem acertar os direitos trabalhistas. Existem 700 ações judiciais movidas por trabalhadores contra o Grupo Atalla que tramita em duas Varas do Trabalho em Jaú.

Entre prejudicados estão cortadores de cana, trabalhadores da indústria química e alimentação (produção de açúcar e álcool), motoristas de transporte de cana e vigilantes. As demissões em massa se deram por conta do acordo de arrendamento entre o Grupo Atalla e Cosan (encampada pela Raízen).

De acordo com o MST, a Cosan pagou na ocasião  antecipado por cinco anos de arrendamento para o Grupo Atalla, mesmo assim não pagou os trabalhadores demitidos. Os Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Jaú, Mineiros do Tietê, Igaraçu e Barra Bonita denunciaram a empresa para o Ministério Público do Trabalho (MPT) assim como Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação e Sindicato das Empresas. A reportagem não conseguiu até o fechamento desta edição localizar representante do Grupo Atalla.

Situação Judicial

A Justiça do Trabalho de Jaú bloqueou contas bancárias do Grupo Atalla para pagamentos de rescisões de contrato de mais de 700 trabalhadores demitidos, atendendo liminar em ação civil pública da Procuradoria Regional do Trabalho de Bauru, da 15ª Região.

A disputa judicial vem desde 2008, quando o juiz José Roberto Tomazzi, da 1ª Vara do Trabalho da Comarca de Jaú, expediu liminar. Cerca de R$ 2,5 milhões foram bloqueados das contas bancárias de empresas do grupo e repassados para uma conta judicial à disposição da Justiça do Trabalho.

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