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O embate Davi e Golias se repete na arena econômica

Ricardo Assaf
| Tempo de leitura: 2 min

As reviravoltas e a forte crise política que o Brasil enfrenta desde 2015 trouxeram feridas profundas para o País e acabaram por contaminar, de forma aguda, os principais indicadores macroeconômicos. Hoje temos um quadro extremamente preocupante: piora nos índices de inflação, recessão, poupança, alta da taxa de juros e um dos piores danos, o desemprego que já acomete mais de 11 milhões de pessoas, de acordo com o Pnad Contínua, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. A boa notícia é que os micro e pequenos negócios apontam alternativas para um recomeço de fôlego e musculatura da economia. Como mostra a narrativa bíblica, a história intrigante do pequeno e jovem Davi, que saiu vitorioso da batalha com o gigante e temido Golias.


Estudos do Sebrae, de 2015, mostram que aproximadamente os micro e pequenos empreendedores são responsáveis por 55% do PIB do comércio, 24% do PIB das indústrias e 37% do PIB dos serviços. Ou seja, há uma falsa percepção de quando se fala em micro: pensamos em pequenos negócios isolados, ou seja, no pequeno Golias. Os números macroeconômicos mostram que estamos consumindo menos, mas eles não mostram e refletem que a população está consumindo de forma diferente.


Um exemplo é a substituição de produtos e serviços de boa ou mesmo de alta qualidade para similares, porém, com menor custo. Se aproveitarem esta mudança no hábito de consumo, os micro e pequenos negócios terão a chance de elevar seu patamar no mercado, gerar emprego e renda.


Muitos destes negócios têm ainda a vantagem de estar próximos de seus clientes finais, geograficamente. Outras ainda têm a vantagem de serem fabricantes ou distribuidoras de produtos alternativos de qualidade e baixo custo. No entanto, não estão isentos dos efeitos devastadores pelos quais o país enfrenta: altas taxas de inflação que muitas vezes são decorrentes de incompetência governamental, juros básicos altos, aumento ou criação de novos impostos.


Nos últimos oito anos, no âmbito financeiro, houve grande intervenção governamental por meio de subsídios para este segmento. O resultado não poderia ser outro e nós que pagamos o boleto. Uma pergunta, porém, nos inquieta: por que não usar um canal específico e que realmente dê conta de atacar a condição financeira dos micro e pequenos? Pois bem, o Banco Central conta com uma estrutura financeira formal e privada chamada de Sociedade de Crédito ao Microempreendedor à Empresa de Pequeno Porte, as chamadas SCMEPPs, especializada para o atendimento deste grupo e, assim, possibilitar de forma direta a geração de renda e emprego.


Ao invés de subsídios, por que não aproveitar para desenvolver este canal, a exemplo de outros países como Colômbia ou México? A microeconomia, definitivamente, tem tudo para se transformar na mola propulsora do mercado, superação da crise e, longe de teorias fantasiosas, oferecer condições concretas para que o pequeno Golias derrote o gigante Davi.

O autor é fundador da Empresta Capital, especialista em microfinanças e presidente da ABSCM – Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito.

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